
Pará inicia elaboração de plano para eliminar Aids e transmissão do HIV até 2030
Oficina promovida pelo Ministério da Saúde e Sespa reúne gestores, especialistas e sociedade civil para definir estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento no Estado.
O Pará iniciou, nesta segunda-feira (1º), a construção do plano estadual que vai orientar as ações de prevenção, diagnóstico, tratamento e cuidado integral voltadas à eliminação da Aids e da transmissão do HIV como problema de saúde pública até 2030. A iniciativa é resultado de uma parceria entre a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) e o Ministério da Saúde.
A elaboração do documento ocorre durante a Oficina Estadual de Planejamento para Implementação das Diretrizes de Eliminação da Aids e da Transmissão do HIV, realizada em Belém, com programação até esta terça-feira (2).
A ação faz parte de uma mobilização nacional conduzida pelo Ministério da Saúde, que já passou por 14 estados brasileiros para apoiar a construção de estratégias locais de enfrentamento ao HIV/Aids. As diretrizes foram aprovadas na Comissão Intergestores Tripartite (CIT), instância que reúne representantes da União, estados e municípios na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS).
Construção coletiva
A oficina reúne representantes das coordenações estaduais e municipais de HIV/Aids e Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), além de profissionais da Atenção Primária, vigilância em saúde, assistência especializada, rede laboratorial, assistência farmacêutica, conselhos de saúde e organizações da sociedade civil.
Durante a abertura do evento, o secretário-adjunto de Gestão de Políticas de Saúde da Sespa, Ivison Carvalho, destacou a importância da participação dos diferentes segmentos na definição das estratégias que serão implementadas nos municípios.
“As soluções precisam ser construídas nos territórios, por quem conhece a realidade local e vivencia os desafios da política pública. Nosso papel é dialogar, construir caminhos e viabilizar as soluções necessárias para fortalecer essa política em todo o Pará”, afirmou.
Metas e desafios
Os debates estão organizados em cinco eixos temáticos definidos nacionalmente: ampliação das ações de prevenção combinada; qualificação do diagnóstico e da vinculação ao cuidado; fortalecimento da adesão ao tratamento e da supressão viral; enfrentamento do estigma e da discriminação; e eliminação da transmissão vertical do HIV, que ocorre de mãe para filho durante a gestação, parto ou amamentação.
Segundo o coordenador-geral de Vigilância do HIV/Aids do Ministério da Saúde, Arthur Kalichman, as diretrizes refletem um compromisso construído de forma conjunta no âmbito do SUS.
“O protagonismo é dos estados, municípios e da sociedade civil. O Ministério da Saúde está aqui para apoiar a construção de metas e ações adequadas à realidade de cada território”, ressaltou.
O planejamento elaborado durante a oficina servirá de base para o plano estadual, que posteriormente será pactuado entre os entes federativos.
Ampliação do acesso
Entre os principais desafios apontados para o Pará estão a ampliação do acesso à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento, especialmente em municípios mais distantes e entre populações em situação de maior vulnerabilidade. Também estão entre as prioridades a redução das desigualdades regionais e o combate ao preconceito relacionado ao HIV.
Para a diretora de Vigilância em Saúde da Sespa, Rosiana Nobre, o alcance das metas depende da integração entre diferentes áreas e políticas públicas.
“Precisamos fortalecer o diagnóstico, ampliar as estratégias de prevenção combinada, garantir o tratamento oportuno e avançar na eliminação da transmissão vertical. Isso exige uma atuação integrada entre assistência, vigilância, atenção primária e direitos humanos”, destacou.
Participação da sociedade civil
Organizações da sociedade civil também participam da construção das propostas. A coordenadora da ONG Arte Pela Vida, Amélia Garcia, reforçou a importância de ampliar o debate público e combater a desinformação.
“O HIV continua sendo uma realidade que precisa ser enfrentada. Ainda existe muito preconceito e desinformação, o que dificulta o acesso das pessoas à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento. Por isso, espaços como este são fundamentais”, afirmou.
Ao longo dos dois dias de programação, os participantes vão definir metas prioritárias, estratégias de monitoramento e ações que serão incorporadas ao planejamento estadual. A expectativa é fortalecer a rede de atenção e vigilância em HIV/Aids no Pará e ampliar o acesso da população aos serviços de saúde.
Fonte: Agência Pará.





