
Gestão de Daniel Santos em Ananindeua é alvo de críticas sobre saúde pública
Oponente político questiona o histórico do ex-prefeito em relação ao atendimento de famílias neurodivergentes e à administração de recursos do CAPS.
Daniel Santos tenta transformar a formação médica e a passagem pela Prefeitura de Ananindeua em credenciais para governar o Pará. Oficializado pelo Podemos como candidato ao governo estadual, ele coloca a saúde entre os pilares de seu projeto político. A promessa de priorizar mães atípicas merece atenção. Mas gestão pública se mede menos pelo discurso e mais pelo histórico de entrega.
É justamente em Ananindeua que esse discurso encontra seu primeiro teste. Mães atípicas ocuparam a Câmara Municipal para cobrar melhorias no atendimento do Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil, o CAPSi, relatando dificuldades enfrentadas por crianças e adolescentes acompanhados pela unidade. Posteriormente, já sob outra administração, a prefeitura entregou uma nova sede para o serviço. A nova estrutura é um avanço, mas não apaga o fato de que as deficiências anteriores levaram famílias a protestar publicamente por atendimento adequado.
Há ainda um episódio administrativo difícil de ignorar. A Portaria GM/MS nº 12.007, de 21 de julho de 2026, desabilitou Ananindeua do recebimento de recursos federais para a construção de um Centro de Atenção Psicossocial no âmbito do Novo PAC Saúde. O Ministério da Saúde informou que os municípios listados não cumpriram as condicionantes e exigências necessárias para superar a etapa preparatória. No caso de Ananindeua, o anexo vincula a medida a uma proposta apresentada durante o período em que Daniel comandava a prefeitura. A perda da habilitação federal coloca sob dúvida a eficiência administrativa usada como vitrine eleitoral.
É necessário fazer uma ressalva: Daniel deixou a prefeitura antes da publicação da portaria federal, e o documento não atribui responsabilidade pessoal pelo descumprimento das exigências. Isso impede uma acusação simplista. Ainda assim, quem apresenta a própria gestão municipal como prova de capacidade para governar o Estado precisa explicar por que um projeto estratégico iniciado durante seu mandato não conseguiu superar as exigências federais.
O questionamento sobre credibilidade ganha outra dimensão com a Operação Hades. O Ministério Público do Estado do Pará apresentou denúncia no contexto das investigações envolvendo contratos públicos de Ananindeua, com acusações relacionadas a corrupção, fraude em procedimentos licitatórios, lavagem de capitais e organização criminosa. Investigação e denúncia não equivalem a condenação, mas tampouco podem ser tratadas como detalhes irrelevantes na avaliação pública de quem pretende administrar todo o Pará. Daniel nega irregularidades e sustenta ser vítima de perseguição política.
Entre os elementos investigados está um imóvel de luxo em Fortim, no Ceará. Segundo apuração do Ministério Público divulgada em reportagem do Fantástico e repercutida pelo Diário Online, empresas que mantinham contratos com a Prefeitura de Ananindeua teriam realizado transferências relacionadas ao pagamento de parcelas do imóvel. O cuidado jornalístico exige tratar essas informações como acusações ainda submetidas ao devido processo legal — sem transformá-las em sentença, mas sem escondê-las do debate público.
É aí que o discurso sobre mães atípicas encontra sua maior dificuldade. Essas famílias precisam de consultas regulares, equipes multiprofissionais, continuidade terapêutica, medicamentos e equipamentos públicos capazes de funcionar independentemente do calendário eleitoral. Mães atípicas não podem servir como cenário de campanha: precisam ser prioridade quando as câmeras vão embora e começa o trabalho cotidiano da administração pública.
Daniel Santos tem o direito de apresentar propostas para a saúde do Pará e de defender seu legado. O eleitor, por sua vez, tem o direito de confrontar promessa com histórico, propaganda com documento e discurso com resultado. Antes de pedir confiança para administrar a saúde de um Estado inteiro, o candidato precisa responder com clareza pelo que ocorreu na cidade que governou. Essa talvez seja a discussão que realmente importa.
Nota: Daniel Santos ou sua assessoria podem se manifestar sobre os fatos, críticas e questionamentos apresentados nesta coluna. O espaço permanece aberto para esclarecimentos, contrapontos ou eventual pedido de correção, que serão avaliados e, quando cabível, incorporados ao conteúdo.
Com informações de: Ministério da Saúde/Diário Oficial da União, Ministério Público do Estado do Pará, CNN Brasil, O Liberal e Diário Online/TV Globo.
CONTINUE ACOMPANHANDO
Mais notícias da sua região
Notícias de
Carregando notícias…
Ver todas as notícias da regiãoO que você achou desta notícia?
✓ Obrigado por participar! Sua reação foi registrada.
Não foi possível registrar sua reação. Tente novamente.
🔒 Privacidade: este recurso não solicita nem armazena dados pessoais. Registramos apenas totais agregados de reações. Sua escolha fica salva somente neste navegador para evitar votos repetidos.





