Mercado de carbono gera conflitos e restrições no Amazonas
Estudo inédito aponta falta de transparência, restrições à autonomia de comunidades tradicionais e controle corporativo sobre territórios na Amazônia.
Pesquisadores apontam expansão desestruturada do mercado de carbono na Amazônia, resultando em conflitos com povos tradicionais. O levantamento foi realizado pela Fundação Rosa Luxemburgo e pela UFRRJ em parceria com o Coletivo de Pesquisa Desigualdade Ambiental, Economia e Política.
O estado do Amazonas concentra 24 iniciativas REDD+, sendo que apenas cinco comercializaram créditos até o momento. A pesquisa resultou na plataforma Territórios em Disputa, um banco de dados interativo sobre os programas.
Segundo a investigação iniciada em 2023, existem graves lacunas de transparência sobre financiamento, gestão de recursos e participação comunitária. Os dados são dispersos e restritos a documentos técnicos.
Elisangela Soldateli Paim, coordenadora da Fundação Rosa Luxemburgo, alerta para riscos à autonomia dos povos indígenas e comunidades tradicionais. Contratos complexos dificultam a compreensão e a participação nas decisões.
A iniciativa privada e investidores externos passam a influenciar o uso dos territórios amazônicos por meio de novas regras contratuais. O processo impõe restrições a práticas tradicionais e gera atritos internos.
A pesquisa classifica o mecanismo como uma forma de financeirização da natureza, transformando ativos ambientais em instrumentos financeiros. O levantamento completo está disponível em ferramenta online para consulta pública.
Fonte / Com Informações: A Crítica
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