
COP31 será realizada em novembro na Turquia com foco na execução de metas climáticas
Conferência ocorrerá de 9 a 20 de novembro, em Antalya, e deverá cobrar avanços em financiamento, redução de emissões e adaptação às mudanças do clima.
A 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP31, será realizada entre os dias 9 e 20 de novembro de 2026, em Antalya, na Turquia. O encontro reunirá representantes de governos, organismos internacionais, setor privado e sociedade civil para discutir a implementação do Acordo de Paris.
A Turquia exercerá a presidência formal da COP31 e ficará responsável pela organização da conferência e pela agenda de ação climática. A Austrália participará da condução política do evento por meio do ministro de Mudanças Climáticas e Energia, Chris Bowen, que atua como presidente das negociações.
A expectativa é que a conferência concentre os debates na passagem dos compromissos internacionais para medidas práticas. Entre os principais temas estão a redução das emissões de gases de efeito estufa, a adaptação aos eventos climáticos extremos, o financiamento destinado aos países em desenvolvimento e a execução das novas metas nacionais.
A COP31 também deverá avaliar os avanços das Contribuições Nacionalmente Determinadas, conhecidas como NDCs. Esses documentos apresentam as metas e políticas que cada país pretende adotar para reduzir emissões e enfrentar os impactos das mudanças climáticas.
O debate terá como referência os resultados do primeiro Balanço Global do Acordo de Paris, concluído na COP28, em Dubai. A avaliação mostrou que os esforços adotados pelos países ainda são insuficientes para manter o aumento da temperatura média global dentro do limite de 1,5°C.
Financiamento climático estará no centro das negociações
Outro ponto central será a execução da Nova Meta Coletiva Quantificada de Financiamento Climático, a NCQG.
O acordo prevê que os países desenvolvidos liderem a mobilização de pelo menos US$ 300 bilhões por ano até 2035 para apoiar ações climáticas em países em desenvolvimento. Também foi estabelecido o objetivo mais amplo de elevar os recursos públicos e privados para pelo menos US$ 1,3 trilhão anuais até 2035.
Na COP31, os países deverão discutir como transformar esses valores em recursos efetivamente acessíveis, além de definir formas mais transparentes de acompanhamento do dinheiro destinado à mitigação, à adaptação e à recuperação de áreas atingidas por desastres climáticos.
As negociações devem abordar ainda a proporção de recursos oferecidos por meio de doações e empréstimos. Países mais vulneráveis defendem que o crescimento do financiamento não provoque um aumento ainda maior de suas dívidas.
Adaptação e perdas e danos
A adaptação às mudanças climáticas também estará entre os principais temas da conferência. Os debates deverão incluir mecanismos para proteger sistemas de saúde, produção de alimentos, abastecimento de água, infraestrutura urbana, comunidades tradicionais e ecossistemas ameaçados.
Outro desafio será avançar na operação do Fundo de Perdas e Danos, criado para apoiar países que enfrentam consequências climáticas graves ou irreversíveis. As discussões devem envolver a reposição dos recursos, os critérios para definir os beneficiários e a velocidade de liberação do dinheiro.
Os pequenos países insulares deverão receber atenção especial devido à vulnerabilidade diante da elevação do nível do mar e da intensificação dos eventos extremos. A articulação entre Turquia, Austrália e países do Pacífico deverá ampliar a presença desse tema na agenda política da COP31.
Mercados de carbono e transparência
A conferência deverá avançar também na regulamentação dos mecanismos internacionais de mercado de carbono previstos no Artigo 6 do Acordo de Paris. Entre os desafios está impedir que uma mesma redução de emissões seja contabilizada por mais de um país.
Os governos ainda serão pressionados a apresentar informações comparáveis sobre emissões, cumprimento das metas climáticas e recursos financeiros mobilizados. Esse processo integra o Quadro de Transparência Reforçado do Acordo de Paris.
A COP31 ocorrerá após as reuniões técnicas realizadas em junho de 2026, em Bonn, na Alemanha, onde foram discutidos temas que servirão de base para as negociações de Antalya.
O resultado da conferência dependerá da capacidade dos países de converter metas internacionais em políticas nacionais, investimentos e reduções verificáveis de emissões. Mais do que anunciar novos compromissos, a COP31 deverá demonstrar se os governos estão dispostos a executar as promessas assumidas antes de 2030.
Fonte: https://cop31.co.uk





