Monoculturas de Açaí Avançam na Amazônia com Clima Seco e Quente

O aumento da demanda global e as mudanças climáticas impulsionam plantações intensivas, enquanto comunidades tradicionais enfrentam perdas severas e escassez.

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Produtores tradicionais de açaí na Amazônia enfrentam perdas significativas devido a secas extremas e incêndios florestais agravados pela crise climática, enquanto o avanço de monoculturas, conhecido como “açaização”, torna os açaizeiros mais vulneráveis ao calor devido à perda de cobertura florestal.

Em municípios como Acará, no Pará, incêndios florestais destruíram áreas de produção e geraram prejuízos expressivos para agricultores locais. A região foi afetada por uma temporada recorde de queimadas que atingiu milhões de hectares na Amazônia em 2024, segundo dados do MapBiomas. O calor extremo e a escassez de chuvas tornaram a bacia amazônica até 30 vezes mais suscetível ao fogo, conforme apontam especialistas.

Impactos climáticos e vulnerabilidade

Estudos indicam que as temperaturas na estação seca da Amazônia subiram em média 0,3 °C por década desde os anos 1980, acompanhadas por secas mais intensas e queda nos índices de precipitação. Em 2023, a bacia registrou os menores índices de chuvas em mais de 40 anos, comprometendo o ciclo natural do fruto, que depende de chuvas e inundações periódicas para se desenvolver.

Enquanto o mercado global de açaí pode atingir US$ 3 bilhões em 2034, comunidades tradicionais que dependem da colheita de baixo impacto enfrentam quedas acentuadas na produtividade. Na Ilha de Marajó, cooperativas locais relatam redução de até 35% na produção desde 2023, além de dificuldades financeiras e insegurança alimentar decorrentes da quebra nos ciclos naturais dos rios.

O modelo de monocultura e a “açaização”

Diante da alta demanda internacional, grandes produtores e empresas têm convertido florestas em monoculturas intensivas. O processo envolve a remoção de espécies nativas, uso de irrigação artificial, fertilizantes e maquinário pesado. Pesquisadores apontam que essa prática reduz drasticamente a diversidade de outras árvores e elimina a vegetação que ajuda a reter a umidade do solo.

Sem a cobertura florestal original, os próprios açaizeiros ficam mais expostos aos efeitos da seca e da erosão provocada pelo avanço da maré salina nos rios. Especialistas da Embrapa ressaltam que o cultivo em terra firme exige volumes expressivos de irrigação artificial, variando de 120 a 180 litros de água por touceira diariamente durante períodos de estiagem.

Falta de apoio e resistência tradicional

Organizações e redes de apoio denunciam que pequenos produtores operam à margem das políticas públicas e carecem de recursos financeiros para se adaptar às mudanças climáticas. Apesar dos desafios, comunidades tradicionais mantêm iniciativas de transmissão de saberes ancestrais, como oficinas de manejo sustentável, para garantir a coexistência entre a vida humana e a floresta na região amazônica.

Fonte / Com Informações: Mongabay

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