
Daniel Santos crise em hospitais e suspeita de favorecimento em Ananindeua
Representação aponta atrasos nos repasses do SUS, fechamento do Anita Gerosa e possível concentração de atendimentos em hospital anteriormente ligado ao ex-prefeito
A gestão do ex-prefeito Daniel Santos é apontada pelo Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) como responsável por atrasos nos pagamentos a hospitais conveniados ao Sistema Único de Saúde e pelo agravamento da crise na rede hospitalar de Ananindeua.
As acusações integram uma representação interventiva ajuizada em fevereiro de 2025. No processo, o MPPA pediu que o Governo do Pará assumisse temporariamente a administração da saúde municipal, sob o argumento de que a prefeitura não garantia atendimento adequado à população.
Segundo dados citados na representação, Ananindeua recebeu quase R$ 1 bilhão em recursos do SUS entre 2021 e 2024. Mesmo assim, hospitais e clínicas conveniados teriam acumulado meses de pagamentos atrasados, colocando serviços essenciais em risco.
Um dos principais casos foi o do Hospital Anita Gerosa. A unidade materno-infantil encerrou os atendimentos em janeiro de 2025 após informar que a prefeitura acumulava uma dívida de aproximadamente R$ 3,5 milhões. O hospital permaneceu fechado por mais de um ano e foi reaberto pelo Governo do Pará em março de 2026.
O Hospital das Clínicas de Ananindeua também deixou a administração municipal e passou para a gestão estadual após autorização do Ministério da Saúde.
Na ação, o MPPA comparou a política de pagamentos da prefeitura a uma prática semelhante ao dumping, caracterizada pelo enfraquecimento de prestadores concorrentes por meio de condições desiguais.
De acordo com a acusação, enquanto hospitais conveniados enfrentavam atrasos, atendimentos e recursos teriam sido concentrados no Hospital Santa Maria de Ananindeua, instituição que pertenceu a Daniel Santos até 2022. Levantamento baseado no Portal da Transparência apontou que o hospital recebeu mais de R$ 103 milhões do município entre janeiro de 2021 e maio de 2025.
Esses elementos foram utilizados pelo Ministério Público para sustentar a suspeita de direcionamento da demanda hospitalar. As acusações, no entanto, ainda dependem de comprovação nas investigações e de decisão judicial definitiva.
Daniel Santos rejeitou as acusações e classificou o pedido de intervenção como politicamente motivado. O ex-prefeito afirmou que o município apresentava resultados positivos na atenção básica e questionou a necessidade da medida.
A reportagem procurou a assessoria de Daniel Santos por e-mail, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação.





