
Sespa cria plano estadual para responder a emergências climáticas em saúde
A Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) elaborou o Plano Estadual de Resposta às Emergências Climáticas em Saúde, documento que reúne diretrizes para ampliar a capacidade de resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado diante dos impactos das mudanças climáticas.
O plano foi desenvolvido pela Diretoria de Vigilância em Saúde (DVS) e pelo Departamento de Vigilância Ambiental e Saúde do Trabalhador (Divast). A proposta é preparar gestores, equipes e serviços de saúde para cenários de risco provocados por eventos climáticos extremos.
O documento considera o aumento da frequência e da intensidade de fenômenos como secas, estiagens prolongadas, ondas de calor, incêndios florestais, baixa umidade do ar, enchentes, inundações e enxurradas. Esses eventos já causam impactos diretos e indiretos à saúde da população paraense.
Para a diretora do Divast, Roberta da Silva Souza, o plano representa uma mudança na forma de atuação do setor.
“As emergências climáticas deixaram de ser um cenário futuro e já fazem parte da realidade dos territórios. O plano nasce justamente para fortalecer a capacidade do SUS de agir antes que os impactos aconteçam, estruturando monitoramento, organização da rede e proteção da população. Nosso objetivo é sair de uma lógica exclusivamente reativa e consolidar uma atuação preventiva, baseada em evidências e preparada para diferentes cenários”, afirmou.
Atenção às realidades dos municípios
A construção do plano leva em conta as particularidades territoriais e ambientais do Pará. A ideia é que as estratégias sejam adaptadas às diferentes realidades dos municípios, especialmente nas regiões mais vulneráveis.
Segundo a coordenadora da Vigilância em Saúde Ambiental (Visamb) da Sespa, Sirley Barros, o apoio técnico aos territórios será essencial para reduzir os impactos dos eventos extremos.
“Cada município tem uma realidade diferente e o plano reconhece isso. Por isso, nossa expectativa é apoiar tecnicamente os territórios para que adaptem as estratégias às suas necessidades locais, fortalecendo a capacidade de resposta do SUS antes do período mais crítico. Preparar hoje significa reduzir impactos amanhã e proteger vidas quando os eventos climáticos se intensificarem”, destacou.
O tema foi discutido recentemente em reunião técnica entre áreas estratégicas da Sespa. Durante o encontro, equipes avaliaram possíveis impactos do fenômeno El Niño e das ondas de calor previstas para os próximos meses.
A secretaria também mantém estratégias de monitoramento, articulação intersetorial e preparação das redes de atenção e vigilância.
Riscos à saúde
Os cenários apresentados pela Sespa indicam possibilidade de períodos de estiagem mais severa e temperaturas acima da média histórica. Essas condições podem aumentar casos de desidratação, exaustão térmica, agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares, além de ampliar riscos provocados pela fumaça de queimadas.
Também há preocupação com a dificuldade de acesso aos serviços de saúde em áreas remotas, especialmente durante eventos climáticos extremos.
Para a diretora de Vigilância em Saúde, Maria Rosiana Nobre, o plano fortalece a integração entre vigilância, assistência, planejamento e comunicação.
“Fortalecer a resposta do sistema de saúde às mudanças climáticas significa integrar vigilância, assistência, planejamento e comunicação. O plano organiza responsabilidades, qualifica processos e apoia os municípios para que consigam antecipar riscos e proteger a população com mais agilidade e efetividade, especialmente nos territórios mais vulneráveis”, afirmou.
Planejamento, prevenção e resposta
O Plano Estadual de Resposta às Emergências Climáticas em Saúde foi concebido como um instrumento permanente de gestão. Além de orientar ações em momentos críticos, o documento busca fortalecer a resiliência do SUS no Pará e ampliar a capacidade do Estado de proteger vidas diante das mudanças climáticas.
O plano estabelece uma estrutura de planejamento, prevenção, monitoramento e resposta. Também define fluxos de atuação, responsabilidades institucionais e mecanismos de integração entre Sespa, Centros Regionais de Saúde, municípios, Ministério da Saúde e parceiros estratégicos.
Um dos diferenciais é o uso de indicadores epidemiológicos, ambientais, sociais e operacionais para classificar cenários de risco. A partir dessa análise, o plano prevê cinco estágios operacionais: normalidade, mobilização, alerta, situação de emergência e crise.
Essa classificação permitirá respostas proporcionais à gravidade de cada contexto.
Ações previstas
Entre as ações previstas estão o monitoramento contínuo dos indicadores climáticos e sanitários, o fortalecimento das vigilâncias ambiental e epidemiológica, a emissão de alertas, a comunicação de risco e a capacitação de profissionais de saúde.
O plano também prevê apoio técnico aos municípios, monitoramento da qualidade da água e do ar, organização logística de medicamentos e insumos, ações educativas e ampliação da proteção às populações mais vulneráveis.
A atenção prioritária será voltada a grupos com maior risco em situações climáticas extremas, como crianças, idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas, povos indígenas, comunidades tradicionais, populações ribeirinhas e trabalhadores expostos diretamente às condições ambientais.
Com informações da Agência Pará.





