Estudo alerta para riscos de transformar crise climática em negócio lucrativo

Estudo destaca riscos de transição energética ser usada como fachada e critica colonialismo verde em territórios vulneráveis.

Um estudo conduzido pelas pesquisadoras Ailce Alves e Larissa Santos evidencia que a chamada transição energética, muitas vezes promovida como solução sustentável, pode mascarar práticas predatórias e agravar impactos socioambientais em regiões vulneráveis.

Realizado na localidade de Rio Preto (Pará), distrito do município de Marabá, o estudo aponta que a extração de manganês, metal estratégico para baterias de veículos híbridos e elétricos, está associada a danos como poeira, lama, riscos de rompimento de barragens e conflitos territoriais.

Ainda segundo o relatório, a abordagem dominante dos países ricos e de grandes corporações na política climática reforça um padrão de colonialismo verde, no qual a preservação e os ganhos ficam concentrados em poucos territórios, enquanto danos são externalizados para regiões menos favorecidas.

A pesquisa faz parte da coletânea de livros intitulada Politizando o Clima: poder, territórios e resistências, elaborada em parceria entre a Fundação Rosa Luxemburgo, o Programa de Pós‑Graduação em Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (CPDA/UFRRJ), o Coletivo de Pesquisa Desigualdade Ambiental, Economia e Política e a Editora Funilaria.

No cerne da crítica está o argumento de que a chamada transição verde, quando orientada por interesses corporativos, pode não implicar mudanças estruturais. Em vez disso, mantêm‑se modelos extrativos e danosos, apenas sob nova roupagem.

As autoras enfatizam que essa configuração torna ainda mais desigual a responsabilidade entre o Norte Global, historicamente emitente de gases de efeito estufa, e o Sul Global, que arca com os prejuízos e permanece refém de empréstimos disfarçados de “finanças climáticas”.

O estudo destaca também a importância das resistências locais: comunidades, povos tradicionais e organizadores sociais são considerados peças‑chave para reconfigurar as narrativas hegemônicas sobre clima, energia e desenvolvimento.

Com informações de: Agência Brasil (agenciabrasil.ebc.com.br)

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