
Senado discute riscos comerciais dos Estados Unidos e terras-raras
Especialistas apontam riscos à soberania nacional decorrentes da política comercial norte-americana e discutem desafios ambientais e industriais na exploração de minerais críticos.
A imposição de tarifas pelo governo dos Estados Unidos e os desafios para a soberania nacional estiveram no centro dos debates da Comissão de Meio Ambiente do Senado nesta quinta-feira (22). Durante a audiência pública, especialistas e autoridades também discutiram o potencial e os riscos ambientais da exploração de terras-raras no Brasil.
Presidida pela senadora Leany Lemos (PSB-DF), a reunião avaliou que a política comercial norte-americana sob a gestão de Donald Trump afeta diretamente os interesses do país. Segundo a parlamentar, os Estados Unidos tratam o Brasil como um quintal e adotam uma estratégia de dominância inédita.
Tarifaço e comércio exterior
Desde março de 2025, os Estados Unidos implementaram sucessivas taxas sobre produtos estrangeiros. Atualmente, quase metade das exportações brasileiras para o mercado norte-americano (47,3%) enfrenta cobranças adicionais de até 37,5%, com impacto estimado em US$ 19,1 bilhões pelo governo brasileiro.
Pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Renato Baumann afirmou que o objetivo da medida é forçar negociações para atrair investimentos para os EUA. Contudo, ele ressaltou que o Brasil registra déficit comercial com os americanos desde 2008, o que torna a retaliação injustificada.
Terras-raras e transição global
O painel também abordou a importância de minerais estratégicos como lítio, cobre, níquel e terras-raras. A doutora em ciência política Luíza Gimenez Cerioli destacou que esses insumos são fundamentais para as transições digital, energética, de defesa e espacial.
O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras-raras, atrás apenas da China. Para o professor da Universidade de São Paulo (USP) Fernando Landgraf, o país deve investir na criação de uma fábrica nacional de ímãs em vez de exportar apenas a matéria-prima bruta.
Por outro lado, Cerioli alertou que o processamento desses minerais demanda muita água e energia, apresentando alto potencial poluidor e gerando riscos de conflitos sociais.
Desmatamento
Representante do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, André Rodolfo de Lima afirmou que a taxação de 25% aplicada pelos EUA após julho de 2026 baseou-se em premissas incorretas sobre a fiscalização ambiental. Ele pontuou que o desmatamento na Floresta Amazônica caiu 75,4% entre 2022 e 2026.
Fonte / Com informações: Agência Senado
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