Gladson Camelí perde disputa ao Senado no Acre e fica sem mandato eletivo

Ex-governador ficou em terceiro lugar nas eleições de 2026; condenado por corrupção, ele não poderá concorrer a cargos públicos por oito anos.

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O ex-governador do Acre Gladson Camelí (PP) perdeu a disputa por uma das duas vagas estaduais no Senado nas eleições realizadas no último domingo (4). Com o resultado, em 2027 ele ficará sem mandato eletivo pela primeira vez em duas décadas de carreira política.

Com 100% das urnas apuradas, Camelí obteve 16,59% dos votos, totalizando 145.244 votos, o que lhe garantiu a terceira colocação entre os candidatos ao Senado no estado. Ele ficou atrás de Márcio Bittar (PL), eleito com 25,59% dos votos (223.972), e de Mara Rocha (Republicanos), que recebeu 17,95% (157.104 votos).

A apuração considera os votos computados como sub judice, pois o registro da candidatura de Camelí foi indeferido e está pendente de recurso judicial. Pela legislação eleitoral, os votos são contados, mas só serão validados caso a decisão seja revertida.

A derrota encerra um ciclo de vitórias consecutivas iniciado em 2006. Nascido em Cruzeiro do Sul e sobrinho do ex-governador Orleir Cameli, Camelí ingressou na política influenciado pelo tio. Desde sua primeira candidatura ao cargo de deputado federal em 2006, onde foi eleito com 18.886 votos, ele não havia perdido nenhuma disputa eleitoral.

Sua trajetória inclui a reeleição como deputado em 2010, a eleição para senador em 2014 aos 36 anos (o mais jovem da legislatura) e duas vitórias consecutivas para o governo do Acre, em 2018 e 2022. Para disputar o Senado em 2026, ele renunciou ao cargo de governador em abril.

Antes das eleições, Camelí enfrentava uma condenação criminal definitiva. Em maio deste ano, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) o sentenciou a 25 anos e nove meses de prisão, em regime inicial fechado, pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude à licitação.

A condenação enquadra o ex-governador nas regras da Lei da Ficha Limpa, impedindo-o de concorrer a cargos públicos por oito anos. Em setembro, a Corte Especial do STJ negou recurso interposto pela defesa contra a sentença.

A decisão judicial mantém medidas cautelares impostas anteriormente, incluindo o bloqueio de bens e restrição de contato com outros investigados. Mais recentemente, Camelí foi alvo da Operação Ptolomeu IV, deflagrada pela Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), que resultou na apreensão de seu celular e três veículos em seu condomínio.

As investigações, iniciadas no final de 2021, apuram suspeitas de desvios de recursos públicos e irregularidades em contratos do governo estadual. O cumprimento da pena seguirá os trâmites legais, com possibilidade de novos recursos pela defesa.

Fonte / Com informações: G1 Acre

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