Pará duplica hospitais de oncologia no interior para reduzir viagens

Ampliação da rede estadual atende cinco municípios e inclui novos equipamentos de radioterapia

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O Governo do Estado do Pará dobrou a oferta de serviços oncológicos no interior, passando de três para seis hospitais dedicados ao tratamento contra o câncer. A expansão, concluída em 2026, reduziu significativamente a necessidade de deslocamentos dos pacientes até Belém.

Enquanto em 2018 o atendimento era realizado em apenas três hospitais localizados em dois municípios, atualmente a rede estadual conta com unidades habilitadas em cinco cidades do interior. As novas instalações são o Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA) em Santarém, o Hospital Regional de Tucuruí, o Hospital Regional Público do Sudeste do Pará (HRSP) em Marabá e o Hospital Regional de Castanhal.

Impacto na rotina dos pacientes

A proximidade das unidades transformou a realidade de quem busca tratamento especializado. Em Santarém, o paciente Rafael Portela Parente, de 30 anos, relatou que a distância reduzida facilitou o acesso à cirurgia e às sessões de quimioterapia. “Como moro aqui, levo dez minutos da minha casa para cá. Está sendo muito rápido, e só tenho a agradecer a equipe de médicos e profissionais pelo apoio que estão me dando”.

O HRBA é classificado como Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon). A unidade oferece desde o diagnóstico até tratamentos complexos, incluindo braquiterapia, radioterapia e quimioterapia, além de acompanhamento multiprofissional com enfermagem, psicologia, nutrição e serviço social.

No município de Tucuruí, a chegada da Unacon também eliminou a necessidade de viagens longas. A paciente Analina Costa de Oliveira, de 73 anos, moradora de Rondon do Pará, descreveu o cenário anterior: “Antes da Unacon de Tucuruí começar a funcionar, eu precisava viajar até a capital, a mais de quinhentos quilômetros da minha cidade. Era uma viagem muito longa e cansativa, e isso tornava o tratamento ainda mais difícil”.

A unidade tucurense dispõe de um acelerador linear para radioterapia, 11 poltronas no salão de quimioterapia e leitos dedicados a procedimentos cirúrgicos e internação. Em Marabá, o HRSP realiza cerca de 500 consultas ambulatoriais e 500 sessões de quimioterapia mensais, além de 100 procedimentos cirúrgicos e conta com 20 leitos de enfermaria oncológica.

Referências na capital e futuro da rede

Em Belém, o Hospital Ophir Loyola (HOL) mantém-se como Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon), oferecendo transplante de medula óssea e hematologia. Já o Hospital Oncológico Infantil Otávio Lobo é referência na Amazônia para pacientes de zero a 19 anos, atendendo jovens dos 144 municípios do Pará e do Amapá.

O secretário-adjunto de Políticas de Saúde da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), Ivison Carvalho, explicou que o planejamento da ampliação começou em 2019 devido às grandes distâncias percorridas pelos pacientes. “Nós duplicamos essa capacidade instalada, com a incorporação dos hospitais que atendem oncologia em Marabá, em Tucuruí e em Castanhal”, afirmou.

O secretário destacou que a estratégia não se limitou à construção de novos espaços, mas incluiu a qualificação dos serviços com a implantação de radioterapia nas regiões. “Ampliando a oferta e qualificando esses serviços, porque não é só colocar cirurgia ou a quimioterapia, a gente tem implantado serviços de radioterapia nesses espaços também”, avaliou.

O plano prevê novas expansões, com a construção da estrutura de oncologia no Hospital Regional da Transamazônica em Altamira. A rede estadual mantém a possibilidade de encaminhamento para unidades de referência quando o caso exigir serviços que não estejam disponíveis na região.

Fonte / Com informações: Agência Pará

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