ONU aprova resolução para adotar novo mapa-múndi que corrige tamanho
Proposta apresentada pelo Togo para adotar projeção cartográfica mais precisa recebeu apoio massivo de 164 países; apenas os EUA votaram contra
A Assembleia Geral da ONU aprovou nesta sexta-feira uma resolução para que o mundo abandone formalmente, de forma gradual, o tradicional mapa de Mercator. A medida visa adotar uma projeção cartográfica que represente com maior precisão o tamanho real da África e de outras regiões globais. O texto foi apresentado pelo ministro das Relações Exteriores do Togo, Robert Dussey, e recebeu apoio de 164 nações. Apenas os Estados Unidos votaram contra a medida.
A votação contou ainda com as abstenções de seis países, incluindo Estônia, Geórgia, Lituânia, República da Moldávia, Sérvia e Ucrânia. Durante a sessão, o representante togolês argumentou que as projeções tradicionais utilizadas por séculos em livros didáticos, na mídia e em documentos oficiais distorcem a verdadeira extensão dos continentes. Segundo a justificativa apresentada, o uso continuado dessas ferramentas minimiza simbolicamente a África e cria uma visão desequilibrada da geografia mundial.
A representação cartográfica amplamente difundida foi desenvolvida pelo cartógrafo Gerardus Mercator em 1569 com o objetivo original de auxiliar marinheiros. Contudo, especialistas apontam que o modelo eurocêntrico distorce as áreas próximas aos polos e encolhe as regiões equatoriais. Com isso, a Europa e a América do Norte aparentam dimensões superiores às reais, enquanto a África e a América do Sul parecem menores. A campanha atual promove a adoção do design Equal Earth, lançado em 2018 por especialistas internacionais.
A delegação dos Estados Unidos criticou severamente a iniciativa, afirmando que a proposta zomba do propósito das Nações Unidas e faz parte de um projeto ideológico mais amplo. Por sua vez, a Ucrânia justificou sua abstenção argumentando que os mapas apresentados como modelo representam de maneira equivocada territórios ucranianos ocupados temporariamente pela Rússia. A União Africana e diversos especialistas em geopolítica apoiam a mudança, destacando que a alteração corrige vieses históricos e educativos.
Fonte / Com Informações: O Globo
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