Embarcação histórica da Nova Doca recebe retoques finais antes da exposição pública
Barco metálico de 22 m, resgatado em três etapas, aguarda detalhes finais antes de ser exibido
A embarcação metálica descoberta durante as obras do Parque Linear da Nova Doca, em Belém, passou por um delicado restauro entre fevereiro e julho deste ano e agora recebe os retoques finais antes de ser aberta à visitação pública.
O artefato, resgatado em três etapas, foi transferido para um laboratório instalado ao lado do Porto Futuro I — local da futura exposição. A preservação agora foca na verificação de pontos específicos na camada de revestimento.
O barco possui 22 metros de comprimento e representa um dos achados arqueológicos mais relevantes do Parque Linear. A peça, associada ao Ciclo da Borracha, promete revelar informações valiosas sobre a história urbana e econômica de Belém.
O restauro envolveu equipes multidisciplinares: arquitetos, engenheiros, arqueólogos, museólogos, conservadores e profissionais da construção civil. Foram realizados diversos testes para definir as melhores estratégias de conservação.
Segundo a arquiteta responsável, Tainá Arruda, o trabalho enfrentou desafios significativos. A estrutura estava fragilizada devido à exposição prolongada a um ambiente úmido, exigindo manuseio rigoroso para evitar danos. Montar uma estrutura elevada para o restauro, devido ao peso do barco, foi outro obstáculo técnico.
O valor histórico da embarcação é imenso. Fragmentos encontrados no loca,como louças e garrafas, remontam ao período colonial, imperial e início da República, e ilustram a transformação da relação entre Belém e suas vias fluviais antigas.
O design físico do barco sugere possível origem europeia ou norte-americana, provavelmente construído entre meados do século XIX e início do século XX. No auge do Ciclo da Borracha, embarcações como essa eram essenciais para o transporte de produtos como borracha, castanha, cacau e madeira, conectando Belém a seringais e ribeirinhos da região.
A obra da Nova Doca, parte dos investimentos do governo estadual para a COP30, está com 97% de execução. O projeto contempla urbanização fluida e integração com lazer, esportes, contemplação e convivência familiar, incluindo passarelas, ciclovias, mirantes, quiosques, playground e áreas verdes.
A exposição do barco deverá enriquecer o futuro Memorial do Parque Linear, fortalecendo o legado histórico e cultural da obra urbana em Belém, aproximando a memória da cidade de sua identidade ribeirinha e seu passado portuário.
Com informações da Agência Pará.





