Usuários britânicos recebem £26 milhões em acordo com Grindr

Ouça esta notícia Preparando a leitura…
0:00
0:00
Tamanho da fonte

Espaçamento entre as linhas

Modo escuro
Restaurar

O Grindr concordou em pagar 26 milhões de libras esterlinas, cerca de R$ 179,3 milhões, para encerrar uma ação movida por aproximadamente 12 mil usuários no Reino Unido que acusaram o aplicativo de compartilhar dados pessoais sensíveis com anunciantes. O acordo foi fechado no início de setembro, mas a empresa afirma que o pagamento não representa admissão de responsabilidade e continua contestando as acusações.

A ação, apresentada em 2024, sustenta que informações consideradas altamente sensíveis foram repassadas a anunciantes, incluindo, em alguns casos, dados sobre usuários portadores de HIV. Não houve decisão judicial sobre o caso.

O processo chama atenção para a forma como aplicativos coletam, armazenam, analisam e compartilham informações de usuários. Além das próprias plataformas, essas operações podem envolver serviços de nuvem, ferramentas de análise, redes de publicidade e outros prestadores de serviço.

Jan Penfrat, especialista em políticas digitais da European Digital Rights (EDRi), afirma que muitas grandes empresas de tecnologia dificultam a compreensão sobre quais dados são coletados, por quem e para qual finalidade.

Segundo ele, essas companhias querem “tornar o mais difícil possível para usuários e autoridades reguladoras compreender quais dados são coletados em nossos dispositivos, por quais agentes e para qual finalidade”.

O especialista cita como exemplo aplicativos que solicitam acesso a informações armazenadas no celular. No caso do WhatsApp, os números de telefone dos contatos são transferidos para servidores, inclusive os pertencentes a pessoas que não utilizam o serviço e que não autorizaram o compartilhamento.

“Tudo isso alimenta um perfil gigantesco”, afirma Penfrat.

Esses perfis podem reunir tanto informações fornecidas diretamente pelos usuários quanto inferências produzidas a partir dos dados coletados. Informações de localização, por exemplo, podem ser utilizadas para estimar endereço residencial, renda ou outros aspectos da vida de uma pessoa.

“Se elas têm acesso aos meus dados de localização e sabem onde costumo estar à noite, podem presumir que esse é o meu endereço residencial”, diz Penfrat.

“Se, por exemplo, for em uma área muito cara da cidade, elas podem imediatamente fazer inferências sobre minha renda. Se perceberem que mantenho a geolocalização ativada e frequento regularmente uma boate gay, concluirão que provavelmente faço parte da comunidade LGBTQIA+. E tudo isso vai diretamente para o perfil.”

Empresas como o Google utilizam dados para oferecer serviços de segmentação de audiência a anunciantes. Segundo Penfrat, marcas podem direcionar publicidade para determinados públicos nas buscas do Google, no Gmail e em sites de terceiros que incorporam anúncios da companhia.

Contexto europeu

Na União Europeia, a proteção de dados é regulada pelo Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (GDPR, na sigla em inglês). Outras normas, como a Lei dos Mercados Digitais (DMA) e a Lei dos Serviços Digitais (DSA), também estabelecem regras para grandes empresas de tecnologia.

Companhias dos Estados Unidos precisam cumprir essas normas quando oferecem serviços a pessoas na Europa ou monitoram seu comportamento.

A Comissão Europeia aplicou multas por violações dessas regras. Em 2025, a Apple foi multada em 500 milhões de euros, aproximadamente R$ 3 bilhões, e a Meta recebeu multa de 200 milhões de euros, cerca de R$ 1,2 bilhão.

Neste ano, o Google teve de pagar 890 milhões de euros, aproximadamente R$ 5,3 bilhões, em multas. Em 2025, a Alphabet, controladora do Google, registrou lucro líquido de cerca de 117 bilhões de euros, equivalente a R$ 692 bilhões.

“Para uma empresa como Google ou Amazon, são valores que podem ser obtidos em apenas alguns dias”, afirma Penfrat. “Eles simplesmente incluem isso no orçamento.”

Segundo o especialista, a fiscalização europeia enfrenta dificuldades diante da dimensão global das empresas, dos recursos financeiros disponíveis e da complexidade dos modelos de negócios.

Outro fator apontado é a dependência europeia de serviços de nuvem, sistemas operacionais, plataformas digitais e infraestrutura de inteligência artificial amplamente dominados por empresas americanas.

Penfrat critica Bruxelas por, segundo ele, não demonstrar vontade política para agir de forma mais firme contra essas companhias e para equipar melhor as autoridades europeias responsáveis pela proteção de dados.

FONTE:
Deutsche Welle (DW), republicada pelo iG Último Segundo

Fonte / Com Informações: Múltiplas fontes · ultimosegundo.ig.com.br, www.dw.com

O que você achou desta notícia?

🔒 Privacidade: este recurso não solicita nem armazena dados pessoais. Registramos apenas totais agregados de reações. Sua escolha fica salva somente neste navegador para evitar votos repetidos.

ARTIGOS RELACIONADOS

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Translate »