Trump suspende sanções à Rússia em medida que pode redefinir apoio à Ucrânia
Decisão de frear penalidades econômicas levanta questionamentos sobre interesses comerciais e o futuro do respaldo norte-americano a Kiev.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspendeu sanções e tarifas importantes relacionadas à Rússia dias antes de entrarem em vigor, sob a justificativa de que a medida atende ao interesse nacional norte-americano. Embora a legislação original tivesse o objetivo de aumentar a pressão sobre Moscou devido à invasão da Ucrânia iniciada em 2022, a decisão presidencial reacende debates sobre os rumos do apoio de Washington a Kiev e o peso de interesses econômicos e do impacto nos preços internos na condução da política externa.
Em decreto divulgado na sexta-feira (16) pela Casa Branca, a isenção foi oficializada para penalidades que incluíam tarifas sobre produtos e restrições à compra de petróleo e gás russo. A lei, formalmente denominada Lei Lindsey O. Graham de Sanções à Rússia e ao Irã, havia sido assinada em meados de setembro e previa tarifas de até 100% sobre importadores de combustíveis fósseis russos ou nações que ajudassem Moscou a contornar medidas restritivas.
Analistas apontam que a suspensão ocorre em um momento político sensível, semanas antes de eleições legislativas de meio de mandato em que republicanos buscam manter o controle do Congresso. Novas barreiras comerciais poderiam elevar os custos da energia para os consumidores norte-americanos, que já enfrentam pressões inflacionárias decorrentes de conflitos no Oriente Médio. O material disponível não demonstra de forma conclusiva uma relação causal direta entre os interesses econômicos eleitorais e a decisão de Trump, mas o contexto econômico interno coincide com o recuo nas penalidades.
A decisão gerou imediata reação do governo ucraniano. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou em mensagem publicada nas redes sociais no sábado (17) que a ação de Trump encoraja o presidente russo, Vladimir Putin. Segundo Zelensky, o alívio na pressão econômica e as recompensas financeiras dão margem para que Moscou prossiga com ofensivas contra infraestruturas energéticas ucranianas.
Do lado internacional, potências como China e Índia, principais compradoras de petróleo russo, já haviam manifestado oposição às sanções devido a reflexos bilaterais e comerciais. O decreto presidencial determina que a isenção permanecerá em vigor até que o chefe do Executivo ou seus principais assessores avaliem que novas medidas sejam oportunas, utilizando prerrogativa prevista na própria legislação.
Fonte / Com informações: Agência Brasil
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