Aquecimento global pode atingir 2,8 °C neste século sem novas medidas, alerta ONU
Relatório do Pnuma aponta que projeções atuais indicam aquecimento de até 2,8 °C neste século; Brasil prevê cortar emissões em até 67% até 2035.
O Programa das Nações Unidas para o Ambiente (Pnuma) publicou na terça-feira o Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2026, que adverte que o mundo segue em direção a um aquecimento global de 2,8 °C caso as políticas atuais sejam mantidas.
Segundo o documento, são necessárias reduções urgentes e rigorosas das emissões de gases com efeito estufa para minimizar a ultrapassagem inevitável do limite de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais. O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que a superação do limite jamais deve servir de desculpa para baixar a guarda na ação climática.
Metas e cenários para o clima
O relatório aponta que os resultados são piores do que as projeções anteriores, fator atribuído pela agência à retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris e à revisão de estimativas históricas. No cenário mais otimista, com o cumprimento integral das metas climáticas atuais e de emissões líquidas nulas, o aquecimento seria limitado a 2,1 °C.
A publicação analisa ainda um cenário de ultrapassagem mínima, no qual o aquecimento atinge um pico de 1,7 a 1,8 °C em meados do século e a temperatura global retorna a 1,5 °C ou menos até 2100. A probabilidade de esse regresso se concretizar é estimada em cerca de 50%, exigindo cortes de emissões de 18% até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040, com base nos níveis de 2025.
Destaques para o Brasil
O Brasil figura no documento como o único país lusófono em destaque. A projeção nacional indica uma redução de 59% a 67% nas emissões líquidas de gases com efeito de estufa até 2035, em comparação com os patamares de 2005.
O Pnuma ressalta iniciativas como o plano governamental Nova Indústria Brasil, que busca ampliar a participação de biocombustíveis e veículos elétricos e promover o uso sustentável da biodiversidade. Também é mencionada a quinta fase do Plano de Ação para a Prevenção e o Controle do Desmatamento na Amazônia Legal 2023–2027, com o objetivo de zerar o desmatamento ilegal até 2030.
Investimentos e transição energética
O levantamento demonstra que políticas voltadas ao setor de eletricidade reduziram as emissões em 9% em média. Ferramentas econômicas, como tetos e impostos sobre o carbono, geraram quedas de 5% a 13% em diversos setores.
A diretora executiva do Pnuma, Inger Andersen, defende que os países intensifiquano esforço global e a liderança do G20 para triplicar a capacidade de energias renováveis até 2030, replicando as políticas de sucesso em larga escala.
Fonte / Com informações: ONU News
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