Eleições 2026: Crise climática ganha espaço em planos, mas fica fora do foco das campanhas
Pesquisa mostra que a maioria dos eleitores considera o tema fundamental, mas propostas dos presidenciáveis divergem sobre metas e velocidade da transição energética.
Em 4 de outubro, mais de 158 milhões de brasileiras e brasileiros estarão aptos a escolher presidente, governadores, senadores e deputados. O pleito ocorre enquanto a crise climática deixa de ser uma projeção distante e se materializa em situações concretas, como cidades alagadas, lavouras expostas à irregularidade das chuvas, reservatórios sob pressão e ondas de calor afetando o trabalho e a saúde.
Uma pesquisa da Ipsos encomendada pelo Observatório do Clima ouviu 1.800 pessoas com 18 anos ou mais em todas as regiões do país entre 17 e 20 de agosto. O levantamento revelou que 62% dos entrevistados classificam o tema como muito importante para a eleição.
Outros dois números completam o quadro: 87% concordam que as mudanças climáticas já provocam secas, chuvas intensas e ondas de calor; e 79% dizem que o assunto deve ser priorizado mesmo quando implicar custos econômicos.
Quando o clima vira economia
Uma análise dos programas dos principais presidenciáveis mostra que transição energética, natureza, bioeconomia, minerais estratégicos e energia limpa aparecem vestidos de desenvolvimento, soberania, competitividade e segurança energética. A agenda climática se concretiza via política econômica.
Ainda assim, essa reformulação tem limites. A comparação encontrou convergência entre diferentes candidaturas no tratamento do petróleo e gás como componentes da segurança energética, ao mesmo tempo em que defendem a expansão de renováveis. A disputa central gira em torno da velocidade da transição, do financiamento e da distribuição dos custos.
Um levantamento do Observatório do Clima examinou 28 temas nos programas dos presidenciáveis. Caiado propõe adaptação sem fixar metas de emissões; Cury cita o tema sem estruturar metas de mitigação; Flávio Bolsonaro não reconhece a crise e inclui gás por fraturamento hidráulico; Lula menciona o Acordo de Paris e a NDC brasileira; Renan Santos omite marcos da política climática; e Zema reconhece extremos sem detalhar meios de implementação.
O próximo governo e os compromissos vigentes
Quem assumir o país em 2027 herdará compromissos já estabelecidos. A NDC brasileira apresentada à Convenção do Clima estabelece a redução das emissões líquidas de gases de efeito estufa entre 59% e 67% até 2035, tomando 2005 como referência.
Há também o Plano Clima 2024–2035, principal instrumento federal de planejamento climático, que se desdobra em 16 planos setoriais na adaptação e organiza planos para grandes setores emissores na mitigação.
A eleição climática além da Presidência
Em outubro, o eleitor fará seis escolhas, incluindo as 513 cadeiras da Câmara dos Deputados e 54 vagas do Senado. O Legislativo é decisivo, pois leis, orçamento e fiscalização passam pelo Congresso. No âmbito estadual e municipal, governadores e prefeitos administram redes de saúde, infraestrutura, recursos hídricos e resposta aos desastres.
A plataforma Vote pelo Clima reúne candidaturas que aderem voluntariamente a compromissos em 20 áreas, oferecendo uma porta de entrada para eleitores interessados em propostas da área.
Fonte / Com informações: Ciclo Vivo
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