
Ministros do TSE Nunes Marques e Mendonça de manobram para disfarçar derrotas?
Presidente e vice-presidente da Corte, indicados por Bolsonaro, são alvo de críticas por decisões que alteram entendimentos majoritários em favor de Flávio Bolsonaro.
Uma ala de ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acusa o presidente Kassio Nunes Marques e o vice-presidente André Mendonça de manobrarem processos para disfarçar derrotas no plenário. A avaliação é de que a dupla, indicada ao Supremo Tribunal Federal por Jair Bolsonaro (PL), modula decisões quando se forma uma maioria contra seus entendimentos.
O caso mais recente envolve o canal de WhatsApp Exército do Lula, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). Os advogados do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) acionaram o TSE para censurar a página e obtiveram decisões favoráveis de Nunes Marques.
Relator do caso, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva havia fixado no último sábado um prazo de 72 horas para a campanha de Flávio detalhar as supostas irregularidades. Antes da resposta, contudo, Nunes Marques mandou derrubar o canal. Ato contínuo, Cueva ordenou o restabelecimento da página e defendeu levar a discussão ao plenário.
Já nesta terça-feira 13, em nova decisão favorável a Flávio Bolsonaro, Nunes Marques determinou que o canal só poderá funcionar sob condições específicas. Também derrubou, assim, a ordem anterior de Cueva.
Para alguns ministros, Nunes Marques age para controlar disputas internas, ajustando o alcance de suas ordens para sair vencedor. Situação semelhante ocorreu recentemente com André Mendonça, que em setembro havia mandado remover publicações a afirmarem que Flávio pretende retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
A ordem atingia postagens que sequer citavam o senador e deflagrou uma insatisfação na Corte. Antes de ser derrotado no plenário, o ministro recuou e definiu que só teriam de sair do ar os conteúdos que faziam referência direta a Flávio — entendimento defendido desde o início pelos pares. Com a mudança, Mendonça obteve maioria no julgamento.
A ala que tem divergido de Nunes Marques reconhece que ele e Mendonça assinam decisões mais favoráveis a Flávio Bolsonaro do que a Lula, com evidentes intenções de favorecer o candidato do PL.
Fonte / Com informações: CartaCapital
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