Lula e Flávio Bolsonaro apresentam propostas divergentes para ajuste fiscal e papel do Estado
Candidato do PT defende manutenção do arcabouço fiscal e ampliação de programas sociais; candidato do PL propõe nova regra fiscal, corte de despesas e redução de tributos
Os candidatos à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), apresentaram nesta semana suas propostas econômicas, destacando divergências sobre o ajuste fiscal, a estrutura do Estado e a política tributária.
Ajuste fiscal
Lula pretende manter o arcabouço fiscal, que estabelece limites para o crescimento das despesas públicas, combinando controle de gastos e estímulo ao crescimento econômico. A estratégia inclui controle rigoroso das despesas e busca por maior arrecadação por meio do crescimento do PIB.
Flávio Bolsonaro propõe criar uma nova regra fiscal vinculada à trajetória da dívida pública, com limites mais rígidos para despesas e corte de ministérios e cargos comissionados. O plano também prevê a redução de gastos administrativos.
Segundo Daniella Marques, coordenadora econômica de Flávio, o plano prevê um ajuste de 1,5% do PIB, equivalente a cerca de R$ 190 bilhões, para conter a dívida até 2025.
Tributação e investimentos
Lula defende maior progressividade tributária, com maior contribuição proporcional das rendas mais altas para o financiamento do Estado. A proposta inclui a continuidade de investimentos em infraestrutura, reindustrialização, inovação e energia renovável, bem como a manutenção de programas como o Bolsa Família.
Flávio defende a redução da carga tributária e a simplificação regulatória, visando diminuir custos para empresas e estimular a produção, especialmente no agronegócio. Entre as medidas estão melhorias logísticas, ampliação de armazenamento de safras e apoio à produção nacional de fertilizantes.
Trabalho e renda
A proposta de Lula prevê a valorização real do salário mínimo e a redução da jornada semanal para 40 horas sem corte salarial. Também pretende manter direitos trabalhistas e ampliar a proteção social.
Flávio propõe modalidades de contratação com menor custo para empregadores em determinados grupos etários, buscando flexibilizar o mercado de trabalho.
Programas sociais
Ambos os candidatos afirmam que manterão o Bolsa Família e programas habitacionais, embora a forma de financiamento seja ponto de debate. Flávio também indica a intenção de preservar o Farmácia Popular.
Contexto econômico recente
Durante o terceiro mandato de Lula, o PIB cresceu em média 2,9% ao ano e a dívida pública atingiu 82,9% do PIB em agosto de 2026.
No governo de Jair Bolsonaro (2019-2022), a dívida bruta chegou a 72% do PIB, enquanto o PIB médio anual foi de 1,4%.
Fonte / Com informações: Agência Brasil
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