Advogados acionam Polícia Federal por uso de brasão em carta de Flávio Bolsonaro
Representação protocolada na Polícia Federal aponta crime pelo uso de símbolo oficial em manifestação política após derrota nas urnas.
Um grupo de advogados do Rio de Janeiro e de São Paulo apresentou nesta quarta-feira, 28, uma notícia de fato à Polícia Federal para apurar o uso do brasão da República em carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro.
O documento foi publicado após a derrota do parlamentar nas eleições presidenciais. Na manifestação encaminhada às autoridades, os profissionais apontam indícios de uso indevido de símbolo da Administração Pública para conferir aparência oficial a uma manifestação política de caráter particular.
Segundo a representação, a conduta pode configurar o crime previsto no artigo 296, parágrafo 1º, inciso III, do Código Penal, que estabelece pena de dois a seis anos de reclusão e multa.
"O uso foi indevido sob qualquer ângulo", argumentam os advogados na peça, destacando que a carta não constitui ato oficial de órgão da União e tampouco representa documento produzido no exercício regular da função parlamentar.
Pedidos de investigação e perícia
Os profissionais também sustentam que o brasão oficial foi associado à falsa condição de "presidente eleito" e, posteriormente, à de "líder do Brasil". O objetivo seria apresentar o senador à comunidade internacional como titular de uma autoridade estatal que ele não possui.
Na notícia de fato, os autores requerem que o caso seja submetido ao Supremo Tribunal Federal para a eventual abertura de inquérito. O pedido inclui a preservação e a realização de perícia técnica nas diferentes versões da carta.
A medida visa identificar os autores da publicação, os horários de criação e a origem das imagens utilizadas. Os advogados solicitam ainda a verificação sobre eventual utilização de servidores, equipamentos ou canais oficiais do gabinete parlamentar na elaboração do material.
Contexto da publicação
Após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais realizadas no domingo, 25, Flávio Bolsonaro deixou o Brasil com destino aos Estados Unidos e divulgou o texto contestando o resultado das urnas, no qual se autodenominou "verdadeiro presidente eleito do Brasil".
A versão inicial do documento trazia um brasão acompanhado da inscrição "Estados Unidos do Brazil", denominação histórica do país. O símbolo foi modificado posteriormente pelas atuais Armas Nacionais com a inscrição "República Federativa do Brasil". Em outra alteração, o parlamentar passou a adotar a expressão "líder do Brasil".
Fonte / Com informações: Migal
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