No ano da COP30, Círio leva 2,5 milhões às ruas e valoriza trabalho de catadores

Celebração de fé e tradição amazônica reforça compromisso com sustentabilidade e paz.

Milhões de devotos tomaram as ruas de Belém (PA) neste domingo (12), durante a 233ª edição do Círio de Nazaré, considerada a maior manifestação católica do país. Estima-se que 2,5 milhões de romeiros tenham participado da procissão, que percorreu impressionantes 52,3 quilômetros, reunindo fé, emoção e homenagens que ecoam além da religiosidade.

Além de Belém, que se prepara para sediar a COP30 em novembro, os municípios vizinhos de Ananindeua e Marituba também acolheram os fiéis ao longo do trajeto. A dimensão do evento reforça o papel da festa no calendário cultural e espiritual da Amazônia, além de projetá-la como símbolo de identidade e resistência popular.

Flávio Américo, diretor de marketing do Círio, ressaltou a importância do apoio do governo federal e do Ministério do Turismo para o fortalecimento do turismo religioso. “Cada Círio é uma emoção diferente. Estou há 26 anos na direção e nunca é igual”, afirmou, emocionado.

Imagens da passagem da imagem de Nossa Senhora de Nazaré pela Avenida Nazaré voltaram a impressionar. Papéis brancos lançados das janelas, fiéis acenando e tentativas de tocar a berlinda marcaram momentos de intensa devoção até a chegada à Basílica.

A presença das catadoras do projeto EcoCírio deu novo contorno ao evento, aliando fé e sustentabilidade. Paula Silvano, uma das integrantes, destacou a emoção de trabalhar no Círio: “Esperamos ela (Nossa Senhora) passar para começar. É alegria pura”.

O EcoCírio, apoiado pelo Ministério das Mulheres, pela Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ) e pelo Sebrae, mobiliza cerca de 200 catadoras e catadores de 10 cooperativas para atuar ao longo do percurso. No ano passado, foram recolhidas 140 toneladas de resíduos apenas nos dois dias de celebração.

Para Liliani Nascimento, diretora da Secretaria Nacional de Autonomia Econômica do Ministério das Mulheres, o projeto integra uma política mais ampla de valorização do trabalho das catadoras. “É também sobre economia do cuidado”, pontuou, antecipando um dos temas que estarão em pauta na COP30.

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