Hepatites virais: entenda prevenção, diagnóstico e o impacto da campanha “Julho Amarelo”

Preparar a população para testes, vacinação e tratamento precoce é meta central da mobilização nacional.

A Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa), por meio da Coordenação Estadual de Hepatites Virais (CEHV), intensifica ações neste mês de julho, marcado pela campanha “Julho Amarelo”. A iniciativa tem como foco a prevenção, a testagem gratuita e o diagnóstico precoce de hepatites virais – doenças silenciosas que afetam o fígado e podem evoluir para condições graves, como cirrose e câncer hepático.

Durante todo o ano, Sespa distribui testes rápidos e preservativos (masculinos e femininos) aos 144 municípios paraenses. Além disso, oferece vacinação gratuita contra hepatite B via SUS, com o objetivo de combater o sub-registro de casos e ampliar o acesso ao tratamento dos tipos B e C, considerados mais perigosos.

De acordo com Caroline Figueiredo, coordenadora de Hepatites Virais da Sespa, “a doença é silenciosa”, por isso a identificação precoce é prioridade. “Buscamos pessoas que desconhecem a infecção e precisam iniciar o tratamento antes que surjam consequências graves”.

As hepatites A e E são transmitidas por ingestão de água ou alimentos contaminados, portando importância à higiene e, no caso da A, à vacinação. Já as hepatites B, C e D são transmitidas pelo contato com sangue contaminado, objetos perfurocortantes, relações sexuais desprotegidas e de mãe para filho no parto.

No âmbito nacional, o Ministério da Saúde reforça a campanha “Um teste pode mudar tudo”, ressaltando que o Brasil reduziu em 50% os óbitos por hepatite B e em 60% os da hepatite C entre 2014 e 2024. O país também registrou queda drástica nos casos infantis de hepatite A e na transmissão vertical da hepatite B.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que, globalmente, cerca de 254 milhões de pessoas vivem com hepatite B e 50 milhões com hepatite C, resultando em aproximadamente 1,34 milhão de mortes em 2022. Projeta-se que, até 2040, o impacto dessas hepatites supere o de outras grandes doenças, como AIDS e tuberculose.

A testagem para hepatites B e C é amplamente realizada via testes rápidos em unidades básicas de saúde, que também distribuem preservativos e oferecem vacinação. O diagnóstico precoce é fundamental para interromper a progressão das infecções e reduzir a transmissão, enquanto tratamentos eficazes e disponíveis no SUS combatem a cronificação, especialmente da hepatite C, com medicamentos orais que alcançam até 96% de taxa de cura.

Especialmente vulnerável, a população em risco e gestantes devem incluir a testagem nos primeiros trimestres do pré-natal. Para recém-nascidos expostos à hepatite B, o SUS disponibiliza vacina combinada com imunoglobulina, eficaz para evitar a transmissão vertical.

Em nível estadual, Rondônia e Tocantins também aderiram ao Julho Amarelo, promovendo vacinação, testagem rápida, distribuição de preservativos e orientações sobre higiene, prevenção e cuidados, alinhados com diretrizes do guia de eliminação das hepatites virais no Brasil.

A campanha “Julho Amarelo” — instituída pela Lei nº 13.802/2019 e em consonância com o Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais (28 de julho) — enfatiza a importância da sensibilização, vacinação e do acesso ao diagnóstico e tratamento nas diversas regiões do país.

As hepatites virais podem ser evitadas com vacinação (A, B e D), preservativos, cuidados com objetos cortantes e hábitos de higiene. Já o diagnóstico precoce, via testes rápidos, e o tratamento imediato tornam-se os principais instrumentos no enfrentamento das formas mais graves, salvando vidas e reduzindo complicações.

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