Agroflorestas ganham força no combate à crise climática e garantem produção sustentável

A integração entre lavouras e florestas nativas, prática conhecida como agrofloresta, desponta como estratégia eficaz para enfrentar os impactos das mudanças climáticas e promover agricultura sustentável.

O modelo agroflorestal, que combina cultivos como milho com árvores como a castanheira-do-pará, tem sido adotado por agricultores, especialistas e governos como alternativa para reduzir emissões de carbono e aumentar a resiliência hídrica.

Segundo o secretário do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Moisés Savian, esse tipo de sistema atua na mitigação e adaptação climática, ao recuperar áreas degradadas e melhorar a retenção de água no solo. “Cultivos sensíveis à seca, como o milho, se beneficiam da sombra e da captação de água pelas raízes profundas das árvores”, explica.

A técnica, que evita o uso intensivo de agrotóxicos, também equilibra o ecossistema, preserva o solo e amplia a segurança alimentar. Durante a COP 30, em Belém (PA), o governo brasileiro apresentou a expansão das agroflorestas como parte da estratégia nacional de desenvolvimento sustentável.

A base do modelo, contudo, não é recente. O climatologista Carlos Nobre lembra que povos indígenas amazônicos já mantêm sistemas agroecológicos há milênios, com profundo conhecimento da biodiversidade local.

Em Botuporã (BA), uma parceria com municípios da Alsácia do Norte, na França, capacita agricultores e jovens em práticas agroecológicas desde 2021. O projeto inclui intercâmbios, como o do estudante Yago Fagundes, que conheceu técnicas de agricultura orgânica na zona rural francesa. O programa também levou voluntárias francesas à Bahia para aprender com os métodos locais.

O prefeito de Eschbach, Hervé Tritschberger, vê a iniciativa como uma forma de repensar a dependência europeia de alimentos cultivados com agrotóxicos. As experiências foram reunidas em um livro lançado no Festival Nosso Futuro, em Salvador.

Em nível doméstico, práticas sustentáveis também avançam. No Rio de Janeiro, o jornalista William Torres transformou o quintal em horta orgânica como forma de resgatar saberes familiares e contribuir com o consumo consciente. “Cada ação contra a produção intensiva é um passo para enfrentar a crise climática”, afirma.

Para Savian, o Brasil dispõe de grandes áreas degradadas que podem ser convertidas em agroflorestas. Ele defende a criação de mecanismos de financiamento e incentivos de mercado, como pagamento antecipado por produtos de origem florestal. “Envolver os consumidores é essencial para impulsionar uma economia verde”, conclui.

Com informações da Agência Brasil.

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