Estudo aponta desigualdade energética no processo de transição no Brasil
Pesquisa revela que regiões e classes sociais enfrentam impactos distintos na mudança.
Um estudo divulgado nesta segunda-feira (29) aponta que a transição energética no Brasil avança de maneira desigual, refletindo diferenças significativas entre regiões e faixas de renda da população. A pesquisa foi apresentada durante evento promovido pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema) e analisou os impactos socioeconômicos do processo em curso.
De acordo com o levantamento, famílias de baixa renda e moradores de áreas periféricas enfrentam maiores dificuldades de acesso a energias mais limpas e modernas, o que amplia o risco de exclusão energética. Já os grupos com maior poder aquisitivo conseguem se beneficiar mais rapidamente das novas tecnologias, como a geração solar distribuída.
O estudo destacou que, embora o Brasil tenha avançado na diversificação da matriz energética, ainda existem barreiras estruturais e de financiamento que impedem a democratização dos benefícios. Entre os pontos críticos estão o alto custo inicial de instalação de sistemas renováveis e a concentração de investimentos em determinadas regiões.
Segundo os pesquisadores, é necessário adotar políticas públicas que reduzam desigualdades sociais e territoriais no processo de transição, garantindo acesso universal e equitativo às novas fontes de energia. A recomendação inclui subsídios direcionados, programas de eficiência energética e ampliação de linhas de crédito acessíveis.
O relatório também alerta para os riscos de aprofundamento das disparidades se não houver um planejamento que considere os diferentes perfis socioeconômicos do país. A falta de integração de comunidades vulneráveis ao processo pode comprometer a justiça social da transição energética.
Para os especialistas, o desafio está em alinhar os objetivos de sustentabilidade ambiental com medidas que assegurem inclusão social e distribuição equilibrada de benefícios, tornando a transição não apenas tecnológica, mas também justa.
O Iema ressaltou que a pesquisa serve de base para orientar gestores públicos e formuladores de políticas na criação de estratégias que aliem desenvolvimento econômico, preservação ambiental e equidade no acesso à energia limpa.
Com informações de: Agência Brasil





