Estudo da USP mostra que desmatamento reduz 74% das chuvas e eleva temperatura em 2 °C

Dados sobre 35 anos revelam papel decisivo da perda da floresta nas mudanças climáticas regionais.

Um estudo liderado por cientistas da Universidade de São Paulo (USP), publicado em 4 de setembro de 2025, quantificou o impacto do desmatamento e das mudanças climáticas globais sobre o regime de chuvas e a temperatura da Amazônia entre 1985 e 2020.

A análise abrangeu 29 blocos de 300 km × 300 km do bioma, utilizando dados sobre cobertura vegetal, precipitação e temperatura, com precisão de observação de áreas de até 30 metros, graças ao mapeamento do MapBiomas.

Os resultados são alarmantes: o desmatamento foi responsável por 74,5% da redução das chuvas na estação seca — o que equivale a 15,8 mm de queda de precipitação por ano — e 16,5% do aumento da temperatura média, que subiu cerca de 2 °C no período.

O principal autor do estudo, professor Marco Franco, do Instituto de Astronomia da USP, destacou que o bioma, que depende da umidade transportada pelo oceano e possui ciclo hidrológico equilibrado, já está bastante impactado. Segundo ele, “não há margem para mais fatores de estresse”.

Além disso, os pesquisadores alertam que ritmos atuais de desmatamento combinados com emissões globais de gases de efeito estufa podem levar a extremos climáticos na região já antes de 2035, aproximando a floresta de um limiar de estresse irreversível.

O estudo também mostra diferenças regionais nos impactos. Áreas da Amazônia oriental, com menos de 10% de supressão vegetal, sentem menos os efeitos da seca, cujas causas são mais atribuídas a fatores globais. Já no sudeste, como em Santarém (PA), o desmatamento tem um peso maior tanto no clima quente quanto na escassez de chuvas.

Segundo o estudioso Luiz Machado, que acompanhou a pesquisa, os resultados permitem conversar com governos e a comunidade internacional sobre o papel decisivo do Brasil no controle da perda florestal e seu impacto global.

Entre 1985 e 2023, a Amazônia brasileira perdeu cerca de 14% da vegetação nativa, o que corresponde a 553 mil km², uma superfície maior que o território da França — e com a expansão agrícola como principal fator de supressão vegetal.

MOSTRAR MAIS

ARTIGOS RELACIONADOS

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Translate »