Governadores aliados de Bolsonaro que prometeram não subir impostos aprovam aumento do ICMS
Decisão do Confaz altera alíquotas de combustíveis a partir de fevereiro de 2027 em estados cujos chefes do Executivo haviam assumido compromissos fiscais.
Governadores que fizeram campanha prometendo reduzir ou não aumentar impostos tiveram seus estados entre os que aprovaram o reajuste do ICMS sobre combustíveis, decidido apenas dois dias depois do segundo turno das eleições de 2026. Entre eles estão Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Jorginho Mello (PL-SC) e Celina Leão (PP-DF), aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão, tomada em 27 de outubro pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), elevará a tributação sobre gasolina, diesel e gás de cozinha a partir de 1º de fevereiro de 2027. O aumento mais expressivo será sobre o diesel, cujo imposto passará de R$ 1,17 para R$ 1,30 por litro, uma elevação de 11,1%. Na gasolina, a cobrança subirá de R$ 1,57 para R$ 1,64 por litro, enquanto o ICMS sobre o gás de cozinha passará de R$ 1,47 para R$ 1,54 por quilo. Para um botijão de 13 quilos, isso representa R$ 0,91 a mais em tributação. A aprovação ocorreu por meio de convênios do Confaz, órgão que reúne os secretários estaduais da Fazenda e representantes do governo federal. A ratificação antecipada dos acordos teve concordância unânime dos estados e do Distrito Federal, conforme ato publicado no Diário Oficial da União em 29 de outubro.
Promessas eleitorais e repercussão nos estados
Em Santa Catarina, Jorginho Mello assinou, em 18 de setembro, um compromisso com a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) de não elevar a carga tributária estadual durante o próximo mandato. Pouco mais de um mês depois, o estado participou da aprovação do reajuste que entrará em vigor justamente no período abrangido pela promessa. No Distrito Federal, Celina Leão defendeu publicamente a manutenção de impostos reduzidos sobre combustíveis em 22 de outubro, cinco dias antes da reunião do Confaz. Em 27 de outubro, o Distrito Federal participou da aprovação das novas alíquotas. Já em São Paulo, Tarcísio de Freitas defendeu a redução do peso dos impostos em manifestação pública na mesma data em que o governo paulista participou da decisão, representado pelo secretário da Fazenda, Samuel Kinoshita. A lista inclui outros governadores que apoiaram Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa presidencial. Em Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP) havia defendido a manutenção da carga tributária em janeiro. Em Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos) manifestou-se favoravelmente à redução de impostos, e em Goiás, Daniel Vilela (MDB) apresentou o compromisso de não ampliar tributos. Todos esses estados integraram a aprovação dos convênios.
Contexto da tributação nacional
O modelo atual de cobrança foi estabelecido pela Lei Complementar 192, sancionada em 2022 pelo então presidente Jair Bolsonaro, substituindo a cobrança percentual por valores fixos. O Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz) afirma que o reajuste segue a metodologia de atualização baseada na variação dos preços para preservar o valor da arrecadação estadual. Embora a elevação do ICMS não signifique um repasse imediato e integral às bombas, ela aumenta a parcela de imposto incidente sobre produtos que têm impacto direto no orçamento das famílias e nos custos de transporte. A decisão do Confaz estabelece os novos valores nacionais, mas não esclarece individualmente os argumentos apresentados por cada representante estadual.
Fonte / Com informações: ICL
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