Congresso terá recorde de mulheres, mas barreiras partidárias limitam avanço

Parlamento terá maior bancada feminina da história, mas estrutura dos partidos e concentração de recursos ainda dificultam a igualdade na política.

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O Parlamento brasileiro terá a maior bancada feminina de sua história a partir do próximo ano, com 18 senadoras e 109 deputadas federais. Apesar da marca histórica, especialistas apontam que barreiras na estrutura dos partidos políticos continuam limitando a participação feminina efetiva nos espaços de decisão e na distribuição de recursos de campanha.

As novas parlamentares tomarão posse em fevereiro, consolidando um aumento expressivo em relação à legislatura atual, iniciada em 2023 com 11 senadoras e 91 deputadas. Pela primeira vez, o Distrito Federal terá todos os três assentos no Senado ocupados por mulheres, com as eleições de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, que se juntam a Damares Alves.

A chegada de 12 mulheres ao Senado em um único pleito também representa um recorde. Historicamente, a presença feminina no Legislativo federal foi escassa. A primeira deputada, Carlota Pereira de Queirós, foi eleita em 1933, enquanto as primeiras senadoras titulares, Júnia Marise e Marluce Pinto, chegaram ao cargo apenas em 1991.

Para a socióloga Vanilda Chaves, a presença de mais mulheres no Parlamento amplia o debate público e incorpora novos temas à agenda legislativa. No entanto, ela ressalta que as mulheres ainda enfrentam dificuldades nas instâncias de direção partidária, onde as funções de comando e a gestão financeira costumam ficar concentradas entre os homens.

A cientista política Mayra Goulart, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, destaca que o crescimento da bancada feminina decorre da pressão da militância e de mudanças nas regras eleitorais. Desde 1997, a Lei Geral das Eleições estabelece cotas para candidaturas femininas, exigindo posteriormente que os partidos preencham efetivamente as vagas e destinem 30% dos recursos do fundo eleitoral e do tempo de rádio e TV para mulheres.

Apesar das exigências legais, o Brasil ainda ocupa posições desfavoráveis em rankings internacionais de igualdade de gênero no Poder Legislativo, ficando atrás de países vizinhos como México e Argentina. Especialistas pontuam que, além do aspecto numérico, o perfil predominante conservador das eleitas e a influência de laços familiares com políticos tradicionais moldam a nova configuração do Congresso.

Fonte / Com informações: Agência Senado

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