Estresse pode estar na origem de dores de estômago, refluxo e prisão de ventre, alertam especialistas

Até 70% dos pacientes que apresentam queixas gastrointestinais têm algum fator emocional associado, segundo a Organização Mundial de Gastroenterologia. A constatação reforça a ligação entre saúde mental e digestiva e ajuda a explicar sintomas frequentes como dor de estômago, refluxo e prisão de ventre.

A relação é mediada pelo chamado eixo cérebro-intestino, sistema de comunicação entre o sistema nervoso central e o sistema nervoso entérico, rede de neurônios presente no trato gastrointestinal. Esse mecanismo é tão complexo que o intestino já é chamado pela ciência de “segundo cérebro”.

“O estresse afeta diretamente o funcionamento do sistema digestivo. A liberação de cortisol, por exemplo, pode alterar o trânsito intestinal, aumentar a produção de ácido gástrico e reduzir a eficácia da digestão”, explica o gastroenterologista, José Marcos Costa. “Por isso, diante de situações emocionais intensas, muitas pessoas desenvolvem sintomas como azia, náusea, dores abdominais ou constipação”, acrescenta.

Além de provocar desconfortos ocasionais, o estresse pode agravar quadros crônicos, como síndrome do intestino irritável, gastrite e refluxo gastroesofágico. Um estudo publicado no Journal of Neurogastroenterology and Motility mostra que pessoas com altos níveis de ansiedade têm até três vezes mais chance de apresentar refluxo, mesmo sem lesões no esôfago.

Especialistas alertam que a busca por atendimento médico é necessária quando os sintomas deixam de ser esporádicos e passam a comprometer a rotina. “Muitas pessoas procuram ajuda tardiamente, acreditando que os sintomas são apenas consequência de uma alimentação inadequada. Mas, em boa parte dos casos, o problema é multifatorial e envolve a saúde emocional”, afirma José Marcos Costa.

Entre as medidas recomendadas para reduzir os impactos do estresse sobre o sistema digestivo estão a adoção de uma dieta rica em fibras, a redução do consumo de álcool, cafeína e alimentos ultraprocessados, além da prática regular de atividades físicas. Técnicas de relaxamento e acompanhamento psicológico também são indicados em casos de sobrecarga emocional.

“O intestino responde ao nosso estado emocional de forma imediata e muitas vezes dá sinais antes mesmo de termos consciência de que algo não vai bem. Cuidar da mente é também cuidar do sistema digestivo”, conclui o especialista.

Com informações da: NM Comunicação

MOSTRAR MAIS

ARTIGOS RELACIONADOS

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Translate »