
La Traviata: tradição italiana pede mais cuidado no ponto da massa
Por Vicente Crispino.
Antes de começar, preciso destacar algo importante: meu olhar para a culinária italiana é naturalmente exigente. Minha família paterna é italiana, e cresci cercado das receitas preparadas pelas nonnas, zias e mammas, onde o ponto da massa e a qualidade dos ingredientes sempre foram a base de qualquer prato. Essa vivência influencia diretamente a forma como avalio restaurantes que se propõem a trabalhar com a cozinha italiana.
No La Travista, a experiência começou de forma bastante positiva. O atendimento merece aplausos: cordial, educado e atencioso. Os garçons recebem os clientes com simpatia genuína, transmitindo acolhimento sem perder o profissionalismo. Além disso, a comida chegou rápido, o que tornou o almoço ainda mais agradável.
O ambiente segue o mesmo padrão de cuidado. Limpo, organizado e com uma decoração aconchegante sem exageros, transmite tranquilidade e convida a aproveitar a refeição com calma.
Na mesa, os pratos mostraram contrastes. O camarão empanado com arroz à grega e batata palha foi um grande acerto: crocante, sequinho e acompanhado de um arroz muito saboroso. A montagem também agradou, simples mas bem organizada, transmitindo cuidado visual e combinando bem com o sabor. Já a sangria da casa foi um dos destaques do almoço, equilibrada e tão refrescante que, mesmo após o fechamento da conta, pedimos mais uma jarra.
Por outro lado, o espaguete à parisiense deixou a desejar. A massa passou muito além do ponto, perdeu sua textura e chegou à mesa em temperatura inferior ao ideal. A montagem do prato também não ajudava, pouco atraente e sem o capricho esperado de um restaurante italiano. Além disso, a massa não apresentava o sabor nem a coloração de uma pasta caseira de qualidade, algo que, em uma casa italiana, deveria ser fundamental.

Cheguei a perguntar ao garçom se a massa era feita na casa, e ele confirmou que sim. No entanto, pela aparência e pelo sabor, ficou difícil acreditar. Tive ainda a impressão de que a massa já estava cozida e apenas aguardava apenas a montagem do prato, o que comprometeu bastante o resultado final. O ideal seria que estivesse apenas pré-cozida, técnica que agiliza a cozinha sem prejudicar a textura nem o sabor, mas que, nesse caso, parece não ter sido aplicada corretamente.
É importante ressaltar que não vejo problema algum em um restaurante utilizar massa industrializada. Hoje o mercado oferece opções excelentes, especialmente as de grano duro, que garantem boa textura e sabor. O que realmente faz diferença é a qualidade do ingrediente escolhido e o cuidado no preparo, pontos que, infelizmente, não apareceram nesse prato.
Apesar do molho bem temperado e saboroso, a execução da massa acabou comprometendo toda a experiência.
Um detalhe que merece ser mencionado é que utilizamos o aplicativo Belém em Dobro, o que tornou a refeição ainda mais interessante no quesito custo-benefício. Mesmo assim, fica claro que, se a massa tivesse sido servida no ponto correto, com qualidade e uma apresentação mais caprichada, o valor seria muito mais justo diante da proposta da casa.
No geral, o La Travista conquista pela simpatia da equipe, pelo ambiente aconchegante e pelos acertos em frutos do mar e bebidas. Porém, precisa dar mais atenção técnica e estética às massas para oferecer uma experiência realmente condizente com a essência da culinária italiana, especialmente para quem, como eu, traz essa tradição no coração e no paladar.
Endereço: Av. Visc. de Souza Franco, 1454 – Nazaré, Belém – PA.





