
Sushi Boulevard: entre o sashimi fresco, o hashis do bolso e a banoffe que nunca chegou
Sabores equilibrados, ambiente limpo e atendimento simpático dividem espaço com falhas na agilidade do serviço e no cardápio digital.
Por Camila Eneyla.
Visitar o Sushi Boulevard na Duque de Caxias foi como pedir um combinado surpresa: alguns pratos vieram deliciosos, outros pareceram inventados pelo estagiário, e no meio disso tudo restou a sensação de que estávamos participando de um reality show gastronômico.
De cara, o ambiente agradou: limpo e organizado. Mas bastou o movimento aumentar para o salão se transformar em uma espécie de karaokê coletivo sem microfone. A falta de acústica faz com que qualquer conversa pareça briga de torcida organizada.
O atendimento? Simpático e educado. Porém, eficiência não é exatamente o ponto forte. Tivemos que repetir pedidos como se estivéssemos ensaiando uma peça de teatro em várias vozes. Já pensou em pedir um temaki e ouvir o garçom responder “reprise amanhã”? Pois foi quase isso.
A tecnologia dos tablets parecia promissora. Só parecia. Na prática, o sushi de banoffe que pedimos ainda deve estar carregando no sistema, porque nunca chegou à mesa. Talvez esteja até hoje em alguma tela piscando: “Seu pedido está em preparo”.
E falando em tablets, a melhor cena da noite foi quando uma atendente, delicada mas convicta, pediu que devolvêssemos um dos aparelhos. Explicamos que não dava, pois estávamos em duas mesas. Ela sorriu, mas o olhar dizia claramente: “vocês vão arder no wasabi eterno”.
A higiene também deu seus tropeços. Ao pedir um temaki, você percebe que tocou na tela engordurada do tablet e logo depois está segurando o peixe cru com as mãos. A experiência, sem álcool em gel por perto, é praticamente uma aula prática de microbiologia.
Mas nada supera a cena dos hashis saindo diretamente do bolso traseiro da calça de alguns atendentes. Ali ficou a dúvida: aquilo é utensílio ou souvenir? Se fosse surpresa do rodízio, seria uma das mais indesejadas.
No cardápio, o Rodízio Super Asian entregou menos do que prometia: variedade baixa e ausência de sashimis e niguiris. Em compensação, o Frango Imperial à la carte chegou com pompa e sabor de prato premiado. Já o mini poke de frango estava tão frio que dava para chamar de “poke polar”.

As invenções continuaram: ceviche com mais cebola que peixe, missoshiro com kani desfiado (quem diria!) e pratos que insistiam em vir com cream cheese, mesmo pedindo sem. Para os amantes da tradição japonesa, foi quase um caso diplomático Brasil x Japão.
Os sucos de morango vieram tão doces que pareciam sobremesa líquida. Bastaria servir puro e deixar que cada cliente decida se prefere uma limonada suíça ou uma glicose intravenosa.
No fim, ainda pedimos para conhecer a cozinha, mas o gerente negou. A resposta educada deixou no ar uma dúvida: será que o sushi doce estava escondido lá, envergonhado por não ter saído da cozinha?
Apesar de tudo, os pratos tinham frescor e preço justo. Só faltou agilidade e um pouco mais de cuidado nos detalhes. Enquanto isso não melhora, o Sushi Boulevard segue como opção para uma refeição casual. Voltaremos em breve — mas, da próxima vez, levaremos fones de ouvido, álcool em gel e, quem sabe, um par de hashis de casa. Afinal, nunca se sabe de onde vão sair os próximos.





