
Com investimentos do Governo do Pará, Hospital Ophir Loyola realizou mais de 46 mil atendimentos oncológicos em seis anos
Dentre os principais tipos de câncer registrados no período, os casos mais recorrentes nos homens foram de cânceres de próstata (1.894), estômago (1.187) e pele (979). Entre as mulheres, o câncer de mama liderou o ranking com 3.271 atendimentos, seguido pelo câncer do colo do útero (2.757) e câncer de pele (879).
Para Danielle Feio, oncologista clínica do HOL, a data reforça a necessidade de ações globais para reduzir o impacto da doença, promovendo a educação sobre fatores de risco e o acesso a cuidados médicos de qualidade. “O tabagismo causa diversos tipos de câncer, sendo responsável por 90% dos casos de câncer de pulmão. Da mesma maneira, deve-se evitar a exposição excessiva ao sol para prevenir o câncer de pele, e existem outros fatores, como o alcoolismo, as infecções crônicas por vírus, como HPV, Hepatite B e C, além do envelhecimento, obesidade, radiação e exposição às substâncias químicas que contribuem para o aumento dos casos”, alerta.
Segundo um levantamento do Registro Hospitalar de Câncer (RHC) do Hospital em 2022, do total de tumores tratados (4.217), a maioria dos pacientes (1.742) é oriunda da Região de Integração Guajará, composta pelos municípios Belém, Ananindeua, Marituba, Benevides e Santa Bárbara. Conforme os dados dos dez tumores mais frequentes tratados no HOL, 51,7 % dos pacientes tinham a cor de pele parda, 59% eram do sexo feminino e 41% do sexo masculino.
As informações também apontam que o público era composto por ex-fumantes (41%) e fumantes (3,8%), ex-consumidores (51,6%) e consumidores de álcool (3,9%), e tinham histórico familiar de câncer (44,4%). Conforme grau de instrução, os casos foram predominantes em indivíduos que têm somente o nível fundamental (43%), trabalhadores de serventia e assemelhados (42,3%), trabalhadores agropecuários polivalentes e assemelhados (30,5%).
Danielle Feio destacou que o Hospital possui uma estrutura robusta e conta com serviços de alta complexidade, oferecendo desde o diagnóstico até o tratamento completo do câncer. “Ofertamos tratamento de quimioterapia, radioterapia, cirurgia oncológica, cuidados paliativos, além de serviços de apoio fundamentais, como diagnóstico por imagem, laboratórios e farmácia oncológica. Levamos em conta o tipo de tumor, o estágio da doença, as condições clínicas do paciente e, sempre que possível, utilizamos marcadores moleculares e atuamos com uma equipe multidisciplinar altamente qualificada”, ressaltou a especialista.

A professora de educação física Camile Souza, de 28 anos, foi diagnosticada com osteossarcoma, um tipo de câncer que afeta principalmente os ossos longos das pernas e braços, embora possa surgir em qualquer outro osso do corpo. Em tratamento quimioterápico, ela também precisou passar por uma cirurgia transfemoral, procedimento que envolve a remoção da perna acima do joelho.
“Eu sempre digo que o cuidado aqui não se resume apenas ao tratamento físico, mas também ao emocional. Além dos médicos, temos psicólogos, assistentes sociais, nutricionistas – é um atendimento integral. E isso faz toda a diferença, porque não estamos apenas lutando contra a doença, mas também contra o medo e a insegurança. E eles nos oferecem suporte em todos esses aspectos”, relatou.
Outra paciente acolhida pelo HOL é Benedita Marques, 49 anos, moradora de Vitória do Jari, no Estado do Amapá. Ela já esteve do outro lado da experiência: atuava como palhaça voluntária em hospitais, levando alegria a crianças com câncer. “Nunca imaginei que um dia eu estaria aqui, como aquelas pessoas que um dia eu ajudei. Mas Deus me mostrou o que elas sentiam, o que elas passavam”, disse.
Benedita reforçou a importância da prevenção e deixou uma mensagem aos que enfrentam o câncer: “Não desista. Lute, mesmo com dor, com sacrifício, com tristeza, com agonia. Vá à luta. Você é um guerreiro. E para quem ainda não teve a doença, fique vigilante. Faça exames regularmente. A prevenção salva vidas”, enfatizou.
Excelência no cuidado – O Hospital Ophir Loyola é referência em procedimentos cirúrgicos, desde a realização de biópsias até cirurgias oncológicas complexas. Atualmente, o hospital dispõe de 203 leitos operacionais, 49 leitos de Tratamento intensivo e 28 consultórios médicos, 7 salas de cirurgia e Sala de Recuperação Pós-anestésica com 7 leitos.
Além disso, possui o maior centro de radioterapia da região Norte, destacando-se entre os 20 maiores da América Latina e Serviços de Apoio Diagnóstico e Terapêutico, utilizando tecnologia de ponta para reduzir os efeitos colaterais e oferecer mais conforto aos pacientes. Conta ainda com atendimento em medicina nuclear e iodoterapia, atualmente terceirizados até a conclusão das obras de modernização desses serviços.

O primeiro Centro de Cuidados Paliativos Oncológicos da região Norte fortalece a política de cuidado integral do hospital, oferecendo conforto e assistência humanizada aos pacientes e familiares. A instituição também conta com o Ambulatório da Dor Crônica, que atende pacientes com dores de difícil controle, a fim de garantir a qualidade de vida dessas pessoas.
Desde 2023, a Instituição de saúde realiza o transplante autólogo de medula óssea, atendendo pacientes com doenças hematológicas malignas. Outro destaque é o Laboratório de Biologia Molecular, que realiza análise de biomarcadores — fundamentais para o diagnóstico, prognóstico e monitoramento do tratamento oncológico.
Danielle Feio afirma que alguns fatores têm contribuído para aumento significativo nos atendimentos oncológicos, como o envelhecimento da população, o maior acesso a exames, a conscientização sobre a doença e o fortalecimento das redes de referência para diagnóstico e tratamento no Pará. “O Hospital tem investido em processos de melhoria contínua, capacitação das equipes e ampliação dos serviços, a fim de garantir que os pacientes recebam um atendimento humanizado e tecnicamente qualificado, mesmo diante do aumento no número de casos.”
“O diferencial do HOL está na capacidade de atender com excelência casos complexos, sua equipe altamente qualificada e sua tradição como centro formador de profissionais da saúde. Somos um hospital público, 100% SUS, que alia assistência, ensino e pesquisa, com foco na humanização do cuidado e na integralidade do tratamento oncológico”, destacou a oncologista clínica.
Texto de David Martinez, sob orientação de Leila Cruz
Fonte: Agência Pará
CONTINUE ACOMPANHANDO
Mais notícias da sua região
Notícias de
Carregando notícias…
Ver todas as notícias da regiãoO que você achou desta notícia?
✓ Obrigado por participar! Sua reação foi registrada.
Não foi possível registrar sua reação. Tente novamente.
🔒 Privacidade: este recurso não solicita nem armazena dados pessoais. Registramos apenas totais agregados de reações. Sua escolha fica salva somente neste navegador para evitar votos repetidos.





