Brasil, Espanha e aliados denunciam operação militar como violação do direito internacional
Espanha, Brasil, Chile, Colômbia, México e Uruguai divulgaram neste domingo (4) uma declaração conjunta contra a operação militar dos Estados Unidos que levou à captura de Nicolás Maduro. Os governos alertaram para os riscos à soberania da Venezuela e condenaram o que chamaram de “violações ao direito internacional”.
O texto afirma que a ação americana desrespeita os princípios básicos da Carta das Nações Unidas, como a proibição do uso da força e o respeito à soberania territorial. Os líderes classificaram a ofensiva como um “precedente perigoso para a paz regional”, reafirmando que a crise venezuelana deve ser resolvida por meio do diálogo e da vontade popular.
“Manifestamos nossa preocupação com qualquer tentativa de controle externo ou apropriação dos recursos naturais da Venezuela“, diz a nota.
A declaração foi assinada, entre outros, pelo presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e pelo primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez.
Trump defende operação e afirma que EUA vão administrar a Venezuela
No sábado (3), a Força Delta dos EUA capturou Maduro e sua esposa Cilia Flores em Caracas. Eles foram levados a Nova York, onde Maduro está preso, acusado de narcotráfico, narcoterrorismo, conspiração e posse de metralhadoras.
O presidente Donald Trump classificou a operação como “brilhante” e anunciou que os EUA vão governar a Venezuela provisoriamente, sem detalhar prazos ou o funcionamento da transição. Ele afirmou ainda que os investimentos em petróleo seriam pagos diretamente pelas empresas, que atuariam no país com autorização americana.
“Vamos reconstruir a infraestrutura petrolífera. O pagamento será feito pelas companhias, que serão reembolsadas pelo trabalho“, disse Trump.
A Venezuela tem as maiores reservas de petróleo do mundo. A empresa americana Chevron opera no país com uma licença especial.
Europa mantém cautela diante da crise
A União Europeia pediu moderação e respeito à Carta da ONU, mas evitou criticar abertamente os EUA.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou que a situação exige cautela jurídica. Já o presidente francês, Emmanuel Macron, disse que o povo venezuelano “só pode se alegrar” com o fim da ditadura, e sugeriu que Edmundo González, exilado após as eleições de 2024, deve liderar a transição.
Em sentido contrário, o premiê espanhol Pedro Sánchez declarou que Madri não reconhece intervenções ilegais, assim como não reconheceu o regime de Maduro.
Contexto eleitoral
A União Europeia não reconheceu as eleições de julho de 2024, consideradas fraudulentas. Edmundo González, principal adversário de Maduro, foi forçado ao exílio. Já María Corina Machado, impedida de concorrer, está escondida. Ela recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2025 por sua luta pacífica pela democracia na Venezuela.
Com informações da EuroNews.





