ONU diz que recuperação da camada de ozônio deve guiar ação climática global
Guterres destaca sucesso multilateral e cobra empenho contra gases do efeito estufa no Dia da Camada de Ozônio.
Neste 16 de setembro, quando se celebra o Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio, a Organização das Nações Unidas (ONU) fez um chamado enfático à comunidade internacional: o êxito na recuperação da camada de ozônio deve servir de modelo inspirador para ações climáticas urgentes.
Quarenta anos após a assinatura da Convenção de Viena, que reconheceu os riscos da destruição da camada, e do Protocolo de Montreal, que determinou a eliminação de substâncias nocivas, o mundo alcançou uma marca histórica: mais de 99% desses compostos foram eliminados da produção e do consumo global.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou o tratado como um “marco de sucesso multilateral” e apontou que o progresso alcançado só foi possível graças à adesão da ciência às políticas públicas globais. Para ele, o mesmo empenho deve ser canalizado para o enfrentamento da crise climática, sobretudo na eliminação dos hidrofluorocarbonetos (HFCs), gases potentes de efeito estufa.
Com a Emenda de Kigali ao Protocolo de Montreal, os países se comprometeram a retirar gradualmente os HFCs. Segundo a ONU, essa medida pode evitar até 0,5 ºC de aquecimento global até o fim do século, sendo ainda mais eficaz quando associada a tecnologias de refrigeração sustentáveis.
Guterres alertou que o mundo segue perigosamente próximo de ultrapassar o limite de 1,5 ºC de aquecimento, e defendeu que os compromissos ambientais sejam incorporados aos novos planos climáticos nacionais (NDCs), abrangendo todos os setores e tipos de gases poluentes.
Relatório recente da Organização Meteorológica Mundial (OMM) revelou que o buraco na camada de ozônio sobre a Antártida foi menor em 2024 em comparação com anos anteriores. As projeções indicam que, mantido o ritmo atual, os níveis da camada podem retornar aos padrões de 1980 até 2040 em escala global, com recuperação plena prevista até 2066 na Antártida.
Além da proteção contra os raios ultravioleta, a recuperação da camada de ozônio contribui para diversos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), como saúde, segurança alimentar e preservação da vida terrestre. A ONU reafirmou a importância de monitoramento científico constante e cooperação internacional efetiva para manter os avanços já alcançados.
Guterres finalizou sua mensagem destacando que o sucesso da proteção da camada de ozônio deve inspirar a comunidade internacional a agir com a mesma urgência e colaboração diante da crise climática.
Com informações de: ONU News





