Itália aposta em dupla atuação na COP e conecta adaptação climática ao Brasil

A Itália iniciou sua participação na COP com uma estratégia de “dupla atuação”, conciliando seus papéis como membro da Convenção-Quadro da ONU (UNFCCC) e como integrante da União Europeia. A explicação foi dada por Mariana Ronchini, representante do Pavilhão Itália na COP30:

“Dentro da União Europeia, buscamos alinhar posições para falar com uma única voz. É difícil, porque cada Estado tem suas próprias prioridades, mas levamos à COP uma ambição climática coerente com as prioridades do Brasil.”

Segundo Mariana Ronchini, o diálogo com o Brasil é intenso, principalmente no tema da adaptação climática, área que ela coordena nos planos nacional e europeu.

Entre as iniciativas apresentadas, destaca-se o Adaptation Accelerator Hub, plataforma em desenvolvimento voltada a integrar conhecimento técnico e apoiar países em desenvolvimento.

“Queremos conectar a plataforma ao Brasil para mostrar que existem estruturas nacionais capazes de coordenar estratégias de forma ativa, não passiva”, disse.

A apresentação oficial do projeto será no Pavilhão da Itália em 19 de novembro, durante três dias de eventos ministeriais.

O Pavilhão da Itália também expõe duas estruturas simbólicas: o modelo do projeto Acqua Rasa e a plataforma flutuante Acqua Prata, doada ao governo brasileiro. Projetada pelo arquiteto Carlo Ratti e construída no norte da Itália, a estrutura esteve na Bienal de Arquitetura de Veneza em setembro. De lá, foi enviada a Belém, onde chegou em outubro e passou por adaptações, como a instalação de um teto, para receber o público durante a COP.

Para Ronchini, a instalação expressa uma aliança que vai além da política:

“Ela representa a parceria cultural e ambiental entre os dois países.”

Ronchini explicou que o novo Acordo Europeu do Clima, recentemente finalizado, representa um desafio: unir 27 países em torno das mesmas metas. No campo da adaptação, a Itália partiu do zero — sem indicadores nem coordenação nacional. O Plano Nacional de Adaptação, lançado há dois anos, reúne medidas setoriais e se articula com uma plataforma apresentada em COP anterior. Ainda sem orçamento próprio, o plano recebe apoio do Ministério do Meio Ambiente, voltado a cidades com mais de 100 mil habitantes.

“Na minha cidade, Terni, conseguimos alguns milhões de euros para adaptar escolas e parques. Críticas fazem parte do processo, mas os avanços são reais. Começamos literalmente do zero, e isso precisa ser reconhecido.”

Entre os pontos destacados, Ronchini apontou avanços em capacity building e na participação social, citando o programa Youth for Climate:

“Nasceu como uma iniciativa isolada em uma COP e hoje é permanente. Permite que jovens dialoguem diretamente com ministérios e apresentem propostas concretas.”

MOSTRAR MAIS

ARTIGOS RELACIONADOS

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Translate »