Brasil lança primeiro plano de adaptação climática para saúde na COP30
O Brasil lançou nesta quinta-feira (13 de novembro de 2025) o Plano de Ação em Saúde de Belém para a Adaptação do Setor de Saúde às Mudanças do Clima, o primeiro documento internacional dedicado exclusivamente à adaptação do setor de saúde às mudanças climáticas, durante a COP30 na cidade de Belém. A iniciativa busca fortalecer a vigilância, capacitação, inovação e políticas baseadas em evidências para auxiliar o setor de saúde a lidar com eventos extremos e impactos das mudanças climáticas.
O plano define três linhas de ação principais: (1) vigilância e monitoramento; (2) políticas, estratégias e fortalecimento de capacidades baseados em evidências; e (3) inovação, produção e saúde digital — todas interligadas pelos conceitos de equidade em saúde, justiça climática e governança participativa. A operação ficará sob coordenação da Aliança para Ação Transformadora em Clima e Saúde (ATACH), com supervisão da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Na cerimônia de lançamento, o ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, afirmou que o país recebeu a missão de fazer desta COP “a conferência da implementação e da verdade”. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, ressaltou que “a crise do clima é uma crise da saúde” e que adaptar os sistemas de saúde tornou-se urgente.
Além disso, foi anunciada a mobilização inicial de US$ 300 milhões por uma coalizão internacional de mais de 35 entidades filantrópicas para apoiar a implementação do plano. Os recursos serão destinados a acelerar soluções frente ao calor extremo, poluição do ar, doenças infecciosas sensíveis ao clima e integração de dados críticos para fortalecer sistemas de saúde resilientes.
No contexto global, o plano responde ao Artigo 7 do Acordo de Paris, que estabelece a Meta Global de Adaptação, e complementa resoluções da Assembleia Mundial da Saúde e o Programa de Trabalho EAU–Belém, iniciado desde a COP28. Segundo a Organização Pan‑Americana da Saúde (OPAS), o aumento da temperatura global já contribuiu para maior mortalidade por calor extremo — cerca de 550 mil mortes por ano — e um aumento de 20% no calor desde os anos 1990.
O plano está aberto à adesão voluntária de países, organizações internacionais, sociedade civil, academia, setor privado e filantropias.
Com esta iniciativa, o Brasil busca assumir um papel de liderança internacional no cruzamento entre saúde pública e mudança climática, colocando o sistema de saúde – no país representado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) – no centro da agenda de adaptação climática global.





