Relatório pré-COP30 aponta: energia renovável bate recorde em 2024, mas precisa crescer 16,6% ao ano até 2030
Estudo divulgado em Brasília alerta: é preciso investir US$ 1,4 trilhão por ano para cumprir meta global de energia limpa.
O mundo bateu um novo recorde em crescimento de energia renovável em 2024, com a adição de 582 GW à capacidade instalada. Mas o avanço ainda é insuficiente: será necessário atingir 1.122 GW por ano até 2030 — um aumento médio de 16,6% ao ano — para alcançar a meta de 11,2 TW de energia limpa.
Os dados foram apresentados nesta terça-feira (8) em Brasília, durante reunião de Alto Nível que antecede a COP30, marcada para novembro em Belém (PA).
“A revolução da energia limpa é imparável”, afirmou António Guterres, secretário-geral da ONU. Segundo ele, fontes renováveis já são mais rápidas, baratas e geram mais empregos do que os combustíveis fósseis.
Investimentos precisam mais que dobrar
O relatório, elaborado pela Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA), em parceria com a Presidência da COP30 e a Aliança Global para Energias Renováveis (GRA), aponta que os investimentos atuais são insuficientes.
Em 2024, o setor atraiu US$ 624 bilhões — mas será necessário aplicar pelo menos US$ 1,4 trilhão por ano, entre 2025 e 2030, para manter o planeta no rumo da transição energética.
Essa expansão está alinhada ao compromisso firmado na COP28, em Dubai, de triplicar a capacidade global de energias renováveis até o fim da década.
Brasil é exemplo, mas mundo ainda falha
O levantamento também destaca o papel do Brasil, que atingiu 89% de participação de fontes renováveis na matriz elétrica em 2023 — uma das mais limpas do planeta.
“O Brasil tem o potencial de liderar o debate global sobre energia limpa, especialmente como sede da COP30”, afirmou o relatório.
Além da geração, os autores ressaltam que é urgente investir em redes de transmissão, cadeias de suprimento e tecnologia, incluindo painéis solares, turbinas eólicas, baterias e hidrogênio verde.
Meta climática será central na COP30
A reunião de Brasília também reforçou a nova meta global de financiamento climático, aprovada na COP29: um mínimo de US$ 300 bilhões por ano até 2030, com expansão para US$ 1,3 trilhão até 2035.
O caminho para mobilizar esse financiamento será tema central na COP30.





