América Latina e Caribe declaram apoio conjunto à COP30 e ao Acordo de Paris
Ministros do Meio Ambiente reforçam união regional e cobram transição justa e financiamento,
Em declaração conjunta aprovada nesta terça-feira (26), durante reunião ministerial na Cidade do México, 22 países da América Latina e do Caribe manifestaram apoio firme à COP30, prevista para 2025 em Belém (PA), e às prioridades delineadas pela Presidência da conferência climática. O texto reafirma o compromisso regional com a implementação do Acordo de Paris e a atuação coordenada frente aos desafios da mudança do clima.
O documento, segundo os signatários, representa uma oportunidade histórica de apresentar a região como um exemplo de “unidade, liderança e compromisso com a ação ambiental”. A carta também respalda a visão da Presidência brasileira da COP30, que defende uma abordagem “acelerada, inclusiva e ambiciosa” na agenda climática.
Durante o encontro de dois dias, os ministros debateram temas como financiamento climático, adaptação, energia e transição justa, com participação de organizações multilaterais e representantes da sociedade civil. O evento marca o início das consultas regionais anunciadas pelo embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, em carta divulgada na semana anterior.
O embaixador destacou, em entrevista conjunta com a ministra do Meio Ambiente do México, Alicia Bárcena, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva considera que “a crise climática ameaça diretamente os avanços sociais conquistados a duras penas”.
Entre os compromissos firmados, os países da região reiteraram o desejo de “construir uma voz única na COP30”, apoiando também as ações das presidências da COP29 e COP30 na construção do Mapa do Caminho Baku-Belém, voltado à mobilização de US$ 1,3 trilhão para financiamento climático. O relatório deverá propor mecanismos inovadores, como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF).
Outro ponto central da declaração é a importância das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) para 2035. Os países alertam que essas metas climáticas, que precisam ser submetidas até setembro, são “indispensáveis para manter os objetivos do Acordo de Paris ao alcance”, exigindo ação intersetorial e cooperação internacional.
Os ministros também classificaram a adaptação climática como prioridade máxima, reafirmando apoio ao avanço do tema durante a COP30, incluindo o fortalecimento das Metas Globais de Adaptação (GGA) e dos planos nacionais.
A transição para o fim dos combustíveis fósseis foi abordada com ênfase na necessidade de que seja conduzida de forma “ordenada e equitativa”, respeitando os contextos nacionais. O texto cita ainda a decisão recente da Corte Internacional de Justiça, que reconhece obrigações legais dos Estados no combate à mudança do clima.
Por fim, a declaração destaca o papel central de povos indígenas, comunidades locais e afrodescendentes como guardiões dos ecossistemas, além de reforçar o compromisso com ações climáticas que respeitem os direitos humanos e valorizem soluções baseadas na natureza.
Com informações: COP30





