COP30: agronegócio se apresenta como parte da solução climática

Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) defende práticas inovadoras e adaptações para consolidar o setor como liderança em agricultura de baixo carbono na conferência de Belém.

A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) anunciou que pretende levar à COP30, em Belém, uma mensagem clara: o setor pode e deve ser visto como parte da solução para a crise climática. A entidade defende que práticas como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), o plantio direto e o uso de bioinsumos já colocam o Brasil na liderança da agricultura de baixo carbono.

“Queremos mostrar que o agronegócio brasileiro é competitivo, sustentável e parte fundamental do combate às mudanças climáticas”, afirmou o presidente da Abag, nome ainda não confirmado na agenda da conferência.

No entanto, especialistas e organizações ambientais lembram que o setor também é um dos principais emissores de gases de efeito estufa do país. Segundo dados do Observatório do Clima, mais de 70% das emissões brasileiras vêm do uso da terra e da agropecuária, sobretudo pelo desmatamento associado à expansão agrícola e à pecuária extensiva.

Pesquisadores do IPCC alertam que, para o Brasil cumprir suas metas climáticas, será necessário reduzir drasticamente o desmatamento, diversificar a produção e adotar práticas que aumentem a resiliência dos solos e a captura de carbono. “Não se trata apenas de produzir com menor impacto, mas de transformar o modelo de produção”, disse Marina Marçal, especialista em políticas climáticas.

Organizações indígenas e movimentos socioambientais, por sua vez, cobram que o debate na COP30 inclua impactos sociais do modelo atual, como a pressão sobre territórios tradicionais e conflitos fundiários. Para eles, o discurso de “agricultura sustentável” precisa ser acompanhado de compromissos concretos e metas verificáveis.

A COP30, que será realizada em novembro de 2025 em Belém, é vista como uma oportunidade para o Brasil mostrar liderança global na agenda climática. Mas, para que o agronegócio seja reconhecido como “parte da solução”, especialistas afirmam que será preciso equilibrar produtividade, conservação ambiental e justiça social.

MOSTRAR MAIS

ARTIGOS RELACIONADOS

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Translate »