Anielle diz que condenação é recado a quem debochou da morte de Marielle
Irmãos Brazão foram condenados a mais de 76 anos de prisão por ordenar o assassinato da vereadora.
A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, afirmou nesta quarta-feira (25) que a condenação dos envolvidos no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes representa um recado direto àqueles que minimizaram ou debocharam do crime ao longo dos quase oito anos de investigação.
Mais cedo, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou os irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão a 76 anos e três meses de prisão, apontando-os como mandantes do atentado ocorrido em 2018, no Rio de Janeiro. Outros três réus também foram condenados.
Anielle, irmã de Marielle, acompanhou o julgamento no plenário ao lado dos pais, da filha e da viúva da vereadora.
“Isso é também um recado para uma parcela da sociedade que debochou da morte da minha irmã. Uma parcela que, em todo ano eleitoral, traz minha irmã como um elemento descartável, como se fosse ‘mimimi’ sobre Marielle Franco”, declarou.
“Coração acalentado”
A mãe da vereadora, Marinete Silva, classificou o julgamento como histórico e disse que a família sai da sessão com sentimento de alívio.
“É um alívio, porque a pergunta que ecoava no mundo era: quem mandou matar Marielle? Hoje, sabemos. A gente sai daqui com a cabeça erguida”, afirmou.
O pai de Marielle, Antônio Francisco, passou mal durante o julgamento e precisou de atendimento médico após um pico de pressão. Depois, falou com a imprensa.
“Foram quase oito anos de angústia”, resumiu.
Repercussão entre familiares e sobreviventes
A viúva de Anderson Gomes, Agatha Reis, disse esperar que a decisão alcance outras famílias que aguardam respostas da Justiça.
“Ainda há esperança. O mal não vai sobreviver. Hoje foi prova disso”, declarou.
Já a assessora Fernanda Chaves, que sobreviveu ao atentado, afirmou que a decisão representa um marco no enfrentamento à violência política de gênero.
“O Estado brasileiro passa o recado de que crimes como esse, o feminicídio político, não são toleráveis. O Brasil responde ao mundo uma pergunta que fizemos por quase uma década”, disse.
A condenação encerra uma etapa decisiva de um caso que ganhou repercussão internacional e se tornou símbolo do combate à violência política, ao racismo e à atuação de milícias no país.
Com informações da Agência Brasil.





