
Relatório Focus projeta 2026 com inflação resistente, juros altos e crescimento moderado
O Relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira (5), aponta ajustes pontuais nas expectativas do mercado, sem mudanças estruturais na visão sobre a economia brasileira. A inflação recua no curto prazo, mas segue acima da meta, mantendo a política monetária em modo cauteloso. Os juros continuam elevados e o crescimento deve perder força nos próximos anos.
Inflação: recuo tímido e vigilância mantida
As estimativas para o IPCA mostram alívio limitado:
- IPCA de 2025: 4,31% – oitava queda seguida
- IPCA de 2026: 4,06% – leve alta na semana
- Preços administrados em 2025: 5,31%
- Inflação acumulada em 12 meses (jan/2026): 4,02%
Apesar do recuo, a inflação permanece acima do centro da meta, sustentando o discurso de vigilância constante por parte do Banco Central.
Política monetária: juros elevados por mais tempo
O mercado ainda prevê juros restritivos ao longo do ciclo:
- Selic ao fim de 2025: 15,00%
- Selic ao fim de 2026: 12,25%
- Selic em 2027: 10,50%
- Selic em 2028: 9,75%
A curva de juros indica um corte gradual, sem espaço para reduções agressivas no curto prazo.
Atividade econômica: ritmo menor adiante
As projeções para o PIB sugerem perda de tração após 2025:
- PIB de 2025: 2,26%
- PIB de 2026: 1,80%
- PIB de 2027: 1,80%
- PIB de 2028: 2,00%
O crédito caro e as incertezas fiscais devem frear o consumo e o investimento nos próximos anos.
Cenário fiscal: obstáculo à normalização
O quadro fiscal segue sendo um fator de pressão:
- Déficit primário projetado para 2026: 0,55% do PIB
- Dívida líquida em 2026: 70,23% do PIB
Para o mercado, ajustes marginais não bastam: será preciso consistência fiscal e monetária para recuperar a confiança e ancorar as expectativas.
Com informações: economicnewsbrasil.com.br





