Brasil enfrenta escalada de feminicídios e protestos seintensificam nas capitais
Taxa de feminicídios cresce em 2025, com São Paulo batendo recorde histórico e manifestações se espalhando pelo país em reação à violência contra mulheres.
Por Camila Eneyla Costa
A cidade de São Paulo registrou de janeiro a outubro de 2025, 53 casos de feminicídio consumado, o maior número desde o início da série histórica em 2015. No mesmo período, o estado contabilizou 207 vítimas, acima das 191 registradas no primeiro decênio de 2024.
O avanço ocorre em meio a novos episódios brutais que voltaram a acender o alerta, incluindo casos registrados ontem e hoje, além da tentativa de feminicídio que chocou o país quando uma mulher foi atropelada e arrastada por cerca de 1 km na Marginal Tietê, resultando na amputação das pernas da vítima.
O cenário nacional acompanha a escalada. Um estudo recente aponta aumento de 17,85% no total de feminicídios consumados e tentados no primeiro semestre de 2025, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Embora os dados consolidados de 2024 indiquem 1.450 mortes, um leve recuo em relação a 2023, o panorama de 2025 aponta deterioração, impulsionada pela repetição de crimes e pela intensidade da violência de gênero.
Especialistas afirmam que os feminicídios representam o ápice de uma cadeia de agressões marcadas por desigualdade estrutural, machismo e histórico de violência doméstica.
A indignação cresceu junto com os números, levando milhares de pessoas às ruas em todo o país neste fim de semana. Em Belém, o protesto ocorreu no sábado (6), com concentração às 8h no Boulevard da Gastronomia e caminhada rumo ao centro comercial por volta das 9h30. O ato reuniu representantes de coletivos, organizações de mulheres e apoiadores da causa.
Sem estimativa oficial de público, a mobilização chamou atenção pela força dos cartazes, que exibiam frases como “Mulheres! Vivas!”, ecoando a sensação de urgência diante dos crimes recentes.
Manifestações simultâneas ocorreram em pelo menos 21 capitais, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Manaus. Faixas e palavras de ordem se repetiram de norte a sul do país, com destaque para expressões como “Parem de nos matar” e “Nenhuma a menos”, transformando o domingo em um dia nacional de denúncia e reivindicação. Grupos organizadores afirmam que as ruas refletem um esgotamento coletivo: diante de casos diários, a sociedade não aceita mais que a violência seja naturalizada.
Apesar da mobilização crescente, especialistas alertam que protestos não bastam. Para eles, é necessária a implementação de políticas públicas de prevenção, proteção imediata a mulheres em situação de risco e mecanismos eficazes de responsabilização de agressores. A avaliação é de que o feminicídio não é um fenômeno isolado, mas um indicador extremo de desigualdades profundas, agravadas por falhas nos sistemas de segurança, justiça e assistência social.
Enquanto a pressão aumenta, novas mortes continuam a ocorrer. As manifestações mais recentes revelam um país que já não suporta a sucessão de casos, e um chamado coletivo para que o Estado responda com urgência. Para muitas mulheres, a luta é por sobrevivência e a cada novo crime, cresce a sensação de que o tempo para agir está se esgotando.





