
Iphan reconhece ofício de tacacazeira como Patrimônio Cultural do Brasil
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) oficializou nesta semana o reconhecimento do ofício das tacacazeiras da Região Norte como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. A decisão, tomada em Brasília, valoriza as mulheres que preparam e comercializam o tacacá — prato típico amazônico feito com tucupi, goma de mandioca, camarão seco e jambu.
Com o registro, o Iphan irá elaborar um plano de salvaguarda que prevê ações para preservar a tradição, como o apoio aos pequenos negócios, melhoria nos pontos de venda e facilitação no acesso às matérias-primas. O processo foi fundamentado por um estudo da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), que documentou práticas em sete estados da Amazônia.
Segundo o Iphan, as tacacazeiras são “detentoras de saberes e segredos” e mantêm, principalmente entre mulheres, formas tradicionais de preparo e sociabilidade. Entre as profissionais ouvidas, está Maria de Nazaré, a tia Naza, de 71 anos, que aprendeu o ofício com a mãe e a avó e há 15 anos vende tacacá em Manaus. Em Brasília, ela comemorou a decisão do Conselho Consultivo.
O senador Jader Barbalho (MDB-PA), que destinou emenda parlamentar para financiar parte da pesquisa, afirmou que o tacacá é “símbolo da identidade paraense” e celebrou a aprovação unânime.
A venda de tacacá remonta ao final do século 19, quando mulheres passaram a conciliar os cuidados domésticos com a renda gerada nas ruas. Para o Iphan, reconhecer esse ofício fortalece a cadeia econômica que inclui extrativistas, produtores e comerciantes.
Com a inclusão no Livro dos Saberes, o ofício de tacacazeira passa a integrar oficialmente o patrimônio cultural brasileiro.





