
Mudanças climáticas agravam casos de alergias e preocupam especialistas da saúde
Entidade alerta para efeitos do clima sobre doenças respiratórias e imunológicas no Brasil.
A crise climática global já impacta diretamente a saúde da população brasileira, conforme alerta recente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai). Em carta enviada ao presidente da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago, a entidade destacou o agravamento de doenças alérgicas e respiratórias como uma das consequências mais preocupantes das alterações no clima, aquecimento global e elevação da poluição atmosférica.
Segundo a presidente da Asbai, Fátima Rodrigues Fernandes, embora as doenças alérgicas tenham origem genética, os fatores ambientais têm se tornado determinantes para o desencadeamento e agravamento desses quadros clínicos. Ela aponta que a elevação das temperaturas e a deterioração da qualidade do ar provocam inflamações nas mucosas respiratórias e cutâneas, facilitando o surgimento e a intensificação de condições como asma, rinite alérgica, dermatite atópica e conjuntivite.
De acordo com a médica, o material particulado presente no ar e os gases como o dióxido de carbono (CO₂) têm aumentado consideravelmente, especialmente em função de queimadas e incêndios florestais. Cita, como exemplo, a tragédia climática no Rio Grande do Sul, em 2024, que intensificou a emissão de alérgenos no ambiente, como pólens, fungos e ácaros.
Outro ponto de atenção levantado pela especialista é o impacto desigual da poluição e das emergências climáticas. Grupos vulneráveis, como crianças, idosos, gestantes e comunidades de baixa renda, são os mais afetados. Em regiões com menos infraestrutura, pequenas variações climáticas resultam em graves consequências para a saúde respiratória e imunológica, ampliando casos de doenças como enfisema pulmonar e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC).
Além dos efeitos do ar poluído, a carta da Asbai também chama atenção para a contaminação por microplásticos. O Brasil está entre os maiores produtores mundiais de plástico, com toneladas sendo descartadas de forma inadequada. Esses resíduos se infiltram na água, oceanos e até na alimentação humana, afetando diretamente o sistema imunológico e contribuindo para o crescimento de alergias alimentares e intolerâncias, relacionadas à alteração da mucosa intestinal.
Para Fátima Fernandes, a associação entre emergência climática e piora das condições alérgicas e imunológicas deve ser tratada como prioridade na agenda de saúde pública e ambiental. “Vivemos uma transformação ambiental que não é mais silenciosa. Ela se manifesta no corpo humano, no ar que respiramos, na comida que ingerimos. É um cenário alarmante que exige ação imediata”, afirmou.
O tema será o foco do 52º Congresso de Alergia e Imunologia, que acontece de 13 a 16 de novembro, em Goiânia, e coincidirá com as discussões internacionais da COP30. A expectativa da Asbai é que o alerta contribua para decisões políticas mais robustas em relação à mitigação dos efeitos do clima sobre a saúde.
Com informações de: Agência Brasil





