Belém recebe líderes mundiais para a COP30 e discute ações urgentes contra o aquecimento global
Conferência climática da ONU reúne quase 200 países em busca de novos compromissos para reduzir emissões e ampliar o uso de energia limpa.
Líderes de quase 200 países estão reunidos desde esta segunda-feira (10) em Belém (PA) para a 30ª Conferência das Partes da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30). O encontro, que se estende por duas semanas, busca acelerar medidas globais de combate ao aquecimento do planeta e garantir o cumprimento do Acordo de Paris, que estabelece o limite de 1,5 °C para o aumento da temperatura média mundial até o fim do século.

As discussões em Belém ocorrem em meio a alertas científicos sobre o avanço das mudanças climáticas e à necessidade de reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito estufa nesta década. Países desenvolvidos chegam com novas metas e pressões internas por resultados concretos. A União Europeia mantém o compromisso de reduzir em 90% suas emissões até 2040, enquanto Estados Unidos, Japão e Canadá reforçam programas de transição energética baseados em energia limpa e eletrificação dos transportes.
Nações em desenvolvimento participam da conferência com foco na adaptação aos impactos já sentidos do aquecimento e na busca por financiamento internacional. Relatório recente da ONU aponta que 144 países iniciaram seus Planos Nacionais de Adaptação, com medidas voltadas à proteção de setores essenciais como agricultura, infraestrutura e saúde. Desse total, 67 países já entregaram formalmente seus planos e começaram a executar ações de mitigação local.
A transição energética é um dos temas centrais da COP30. Dados recentes mostram que, em 2024, o mundo registrou um recorde de 582 gigawatts em novas fontes renováveis. Enquanto economias desenvolvidas ampliam investimentos em energia solar, eólica e hidrogênio verde, países em desenvolvimento buscam reduzir a dependência de combustíveis fósseis e melhorar a eficiência energética, com apoio de fundos multilaterais.
O financiamento climático também domina as negociações. O plano internacional em debate prevê a mobilização de até 1,3 trilhão de dólares anuais até 2035 para apoiar países mais vulneráveis em ações de mitigação e adaptação. Ainda assim, o montante é considerado insuficiente diante dos custos estimados da transição global, que podem ultrapassar 3 trilhões de dólares por ano nesta década.
Na agenda da adaptação, há resultados concretos, mas ainda limitados. O Fundo Verde para o Clima apoia atualmente 121 países em desenvolvimento e já aprovou 6,9 bilhões de dólares em projetos voltados à proteção de comunidades vulneráveis, gestão hídrica e fortalecimento de ecossistemas. Especialistas alertam, porém, que as necessidades financeiras para adaptação podem chegar a 365 bilhões de dólares anuais nos próximos anos.
Alguns países em desenvolvimento apresentam avanços que servem de exemplo. Bangladesh instalou mais de seis milhões de sistemas solares domésticos fora da rede elétrica, ampliando o acesso à energia limpa em áreas rurais. No Senegal, um acordo internacional de transição justa mobilizou 2,8 bilhões de dólares para elevar a participação de fontes renováveis a 40% da matriz elétrica até 2030.
Como país-sede, o Brasil busca protagonismo na condução das negociações e pretende apresentar resultados concretos. O governo brasileiro reafirmou a meta de reduzir entre 59% e 67% das emissões líquidas até 2035, em relação a 2005, e aposta na preservação da Amazônia como símbolo global de sustentabilidade. A expectativa é de que o encontro em Belém produza acordos que consolidem uma nova etapa de cooperação climática internacional.





