Vacina contra herpes-zóster pode reduzir AVC e infarto, aponta meta-análise global

Estudo indica queda de 16% a 18% em eventos cardiovasculares; especialistas pedem mais evidências.

Uma revisão sistemática global e meta-análise, apresentada no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia de 2025, indica que a vacina contra herpes-zóster — conhecida como vacina contra o cobreiro — pode reduzir o risco de doenças cardiovasculares graves, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

Segundo o estudo, adultos vacinados entre 18 e 50 anos apresentaram uma redução de 18% nesse risco. Entre os maiores de 50 anos, o efeito observado foi de 16% . Em termos absolutos, foram registrados entre 1,2 e 2,2 eventos cardiovasculares evitados por mil pessoas ao ano.

O estudo, liderado por Charles Williams, diretor associado global da GSK e autor da meta-análise, analisou 19 pesquisas, sendo oito observacionais e um ensaio clínico randomizado.

Apesar dos resultados promissores, os especialistas destacam que a maioria dos dados provém de estudos observacionais, o que limita a capacidade de estabelecer relação de causa e efeito. O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, ressaltou que múltiplos fatores — como obesidade, hipertensão e diabetes — devem ser considerados ao analisar os benefícios cardiovasculares da vacina.

Para o especialista, essa associação vem sendo observada em outras vacinas, como a da gripe, que também exibem efeitos protetores sobre o coração ao reduzir resposta inflamatória ligada a eventos cardíacos.

Nos Estados Unidos, algumas autoridades de saúde já consideram a possibilidade de ampliar a indicação da vacina para públicos com maior risco, embora ainda não existam mudanças oficiais sobre o tema.

Contexto no Brasil:
A vacina está disponível apenas via saúde privada, com o Ministério da Saúde buscando avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) para definir uma possível inclusão no calendário público — pendente de parecer técnico. Os valores atuais variam de R$ 850 a R$ 1 000 por dose, totalizando cerca de R$ 1.700 a R$ 2.000 para o esquema completo.

Com informações da Agência Brasil.

MOSTRAR MAIS

ARTIGOS RELACIONADOS

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Translate »