Nanda Costa e Lan Lanh recriam foto histórica de John Lennon e Yoko Ono no Dia da Visibilidade Lésbica
Por: Camila Eneyla
A atriz Nanda Costa e a percussionista Lan Lanh recriaram uma das fotos mais icônicas da cultura pop: o retrato de John Lennon e Yoko Ono feito pela fotógrafa Annie Leibovitz em 8 de dezembro de 1980, horas antes do assassinato do ex-Beatle.
A releitura, clicada por Mari França, foi divulgada em 29 de agosto, data em que se comemora o Dia da Visibilidade Lésbica. Nanda aparece nua, abraçada à esposa, que está vestida, repetindo a intensidade e a intimidade do registro original.

Uma publicação compartilhada por Nanda Costa (@nandacosta)
O ensaio rapidamente se espalhou pelas redes sociais, ganhando repercussão na coluna de Mônica Bergamo e em veículos nacionais. Parte do público celebrou a iniciativa como uma forma de dar visibilidade às mulheres lésbicas e reforçar a luta contra o preconceito, enquanto outros comentários refletiram resistência e críticas à releitura.
Casadas desde 2014, Nanda e Lan Lanh são mães das gêmeas Kim e Tiê, de três anos, e vivem em Salvador desde 2022. A atriz tem se destacado em trabalhos recentes como a série Quando Ela Desaparecer e o longa Marcha para o Oeste. Já Lan Lanh atua em projetos musicais, como Música e Poesia.
No entanto, o ponto mais simbólico está na mensagem que a foto carrega: além da homenagem ao clássico de Lennon e Yoko, a releitura funciona como um ato político e de resistência, inserido em uma data que denuncia o apagamento histórico e a discriminação contra lésbicas no Brasil. Para Nanda e Lan Lanh, a visibilidade não deve ficar restrita a uma data, mas ser afirmada todos os dias.
A escolha de recriar justamente esse clique histórico não foi por acaso. A foto de John Lennon e Yoko Ono, símbolo de intimidade e amor transgressor para a época, foi reinterpretada por Nanda e Lan Lanh como uma forma de reafirmar que o amor entre mulheres também é legítimo, profundo e digno de ser celebrado publicamente.
A repercussão nas redes sociais mostrou um retrato fiel da sociedade brasileira: enquanto muitos elogiaram a delicadeza, a representatividade e a coragem do casal, outros reagiram com comentários preconceituosos e ofensivos. Essa divisão de opiniões evidencia como a luta por reconhecimento e respeito à diversidade ainda é urgente no país.
No fim, a recriação cumpre seu papel maior: provocar reflexão. Ao trazer à tona debates sobre amor, liberdade e igualdade, o ensaio se transforma em um manifesto visual que ultrapassa a arte e toca diretamente em questões sociais. Mais do que uma homenagem, a foto de Nanda e Lan Lanh reafirma que a visibilidade lésbica é resistência e presença cotidiana, um chamado para quebrar tabus e ampliar horizontes de aceitação.





