Petrobras testa resposta a acidentes na Foz do Amazonas antes de licença final

A Petrobras iniciou neste domingo (24) a avaliação pré-operacional (APO) no bloco marítimo FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, considerado o último passo antes da concessão da licença ambiental para exploração de petróleo na região. A atividade, realizada em parceria com o Ibama, marca um momento decisivo para o avanço da estatal na chamada Margem Equatorial, apontada como nova fronteira da exploração petrolífera no Brasil.

Localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do Oiapoque, no Amapá, o bloco está posicionado em águas profundas. A perfuração do poço Morpho 1-APS-57, onde já se encontra a sonda NS-42 desde o dia 18, depende da aprovação final do Ibama. O exercício simulado, com duração estimada entre três e quatro dias, testará a eficácia da estrutura de resposta a possíveis incidentes ambientais.

Durante o procedimento, a Petrobras e o Ibama avaliam o funcionamento do plano de emergência, focando especialmente em casos de derramamento de óleo. A simulação verifica desde a capacidade de contenção até a resposta à fauna afetada, passando por protocolos de comunicação e agilidade na atuação.

Mais de 400 profissionais foram mobilizados, entre biólogos, veterinários e técnicos especializados. A estrutura inclui uma sonda, seis embarcações de contenção, dois navios OSRV, três helicópteros, um avião e unidades especializadas para atendimento à fauna em Belém e no Oiapoque. Mais de 100 pessoas estarão exclusivamente dedicadas à proteção da vida animal.

Segundo a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, esta é a maior estrutura de resposta a emergências já mobilizada pela empresa. A estatal já realizou operação similar em 2023, na costa do Rio Grande do Norte, onde obteve autorização para perfurar os poços Pitu Oeste e Anhangá.

Apesar do avanço técnico, o projeto enfrenta forte oposição de ambientalistas, que questionam os riscos à biodiversidade da região e apontam incoerência com os objetivos da transição energética. Em 2023, o Ibama chegou a negar a licença para o bloco FZA-M-59. A estatal, com apoio de setores do governo federal e lideranças políticas como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, solicitou reconsideração e aguarda nova decisão.

A Petrobras argumenta que a produção na Margem Equatorial é estratégica para garantir a autossuficiência energética nacional na próxima década. A empresa reforça que o bloco está a 540 quilômetros da foz do Rio Amazonas e afirma seguir rigorosos critérios ambientais. Enquanto isso, a conta da espera pesa: são R$ 4 milhões por dia de custo operacional sem a licença definitiva.

Com informações da Agência Brasil.

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