Saiba como surgiu o Dia dos Pais no Brasil
Data foi criada em 1953 para homenagear pais e aquecer o comércio.
O Dia dos Pais no Brasil teve sua origem em 1953, como resultado direto de uma ação estratégica do então publicitário Sylvio Bhering, que ocupava o cargo de diretor no jornal O Globo e na Rádio Globo. Inspirado pelo êxito comercial do Dia das Mães, Bhering viu na celebração paterna uma oportunidade de unir homenagem familiar e fomento ao comércio em um período tradicionalmente mais fraco do calendário de vendas.
A primeira comemoração aconteceu em 16 de agosto, data escolhida por coincidir com o Dia de São Joaquim, reconhecido pela tradição católica como o pai de Maria, mãe de Jesus. Para um país de maioria católica, o simbolismo religioso agregava legitimidade e identificação popular à nova efeméride.
Nos anos seguintes, no entanto, a data sofreu uma modificação importante: passou a ser celebrada no segundo domingo de agosto. A mudança seguiu um modelo bem-sucedido já adotado no Dia das Mães, priorizando o fim de semana como momento de convivência familiar e facilitando a criação de campanhas de marketing voltadas para esse período.
Além do simbolismo religioso e da proposta afetiva, a reformulação também visava equilibrar o calendário comercial, posicionando o Dia dos Pais entre duas grandes datas de vendas: o Dia das Mães, em maio, e o Natal, em dezembro. Agosto, até então carente de eventos de grande apelo, passou a ter sua importância fortalecida.
A escolha pelo segundo domingo permitiu maior flexibilidade nas celebrações, favorecendo reuniões familiares e impulsionando setores como vestuário, eletrônicos e perfumaria, com promoções voltadas ao perfil masculino.
Diferentemente de países como os Estados Unidos, que celebram o Dia dos Pais em junho, ou de nações europeias, que o fazem em março, o Brasil optou por manter a comemoração em agosto, tornando-se um dos poucos países no mundo a homenagear os pais nesta época do ano.
Ao longo das décadas, a data consolidou-se tanto no imaginário popular quanto na agenda do varejo, sendo marcada por homenagens emocionadas, almoços em família e forte apelo publicitário. O que nasceu de uma iniciativa jornalística tornou-se tradição nacional — misturando afeto, religião e estratégia de mercado.





