STF interroga réus do núcleo 3 da trama golpista envolvendo “kids pretos”

Último ciclo de depoimentos ocorre em 28 de julho, com militares e agente da PF indiciados.

Nesta segunda-feira, 28 de julho de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) deu início ao último ciclo de interrogatórios dos acusados do chamado Núcleo 3, parte da denúncia que envolve uma suposta tentativa de golpe de Estado ocorrida em 2022.

O grupo é composto por 11 militares do Exército, membros do Batalhão de Forças Especiais popularmente conhecidos como kids pretos, e um agente da Polícia Federal. Eles respondem por crimes como organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, atentado contra a Constituição e ameaça com destruição de patrimônio tombado.

O interrogatório foi conduzido por um juiz auxiliar designado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da ação, e teve início a partir das 9h da manhã. Os acusados podem exercer o direito ao silêncio diante das perguntas da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do gabinete da relatoria.

Entre os réus ouvidos estavam nomes como Bernardo Romão Corrêa Netto (coronel), Cleverson Ney Magalhães (tenente-coronel), Estevam Theophilo (general da reserva), Hélio Ferreira / Márcio Nunes Júnior / Nilton Diniz Rodrigues / Rafael Martins de Oliveira / Rodrigo Bezerra de Azevedo / Ronald Ferreira de Araújo Júnior / Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros, além do policial Wladimir Matos Soares, todos integrantes do núcleo investigado.

A denúncia da PGR sobre a trama golpista foi dividida em quatro núcleos. Os interrogatórios dos núcleos 1, 2 e 4 já foram concluídos. O Núcleo 1, que inclui o ex‑presidente Jair Bolsonaro e outros sete acusados, está nas fases finais de julgamento, com previsão de sentença em setembro de 2025.

Segundo a acusação, o Núcleo 3 teria atuado nas ações táticas do plano golpista, incluindo o monitoramento dos ministros Alexandre de Moraes e do presidente Lula. Esses elementos são centrais para a argumentação da PGR sobre o caráter estratégico e armado da suposta conspiração.

O andamento do caso reforça a gravidade dos desdobramentos jurídicos e políticos em torno da tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023. O STF avança para a última etapa de oitivas, enquanto o país acompanha a tramitação do processo com atenção à Justiça e ao Estado Democrático de Direito.

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