Lula afirma que BRICS continuará a discutir opções ao dólar e critica “subordinação”
Em entrevista, presidente defende uso de moedas locais e critica intervenção de Trump em soberania.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, na noite de quinta‑feira (10 de julho de 2025), que o BRICS seguirá discutindo alternativas ao dólar nas trocas comerciais, defendendo autonomia e soberania monetária entre os países do bloco.
Em entrevistas concedidas ao Jornal Nacional, Lula destacou que “nós cansamos de ser subordinados ao Norte” e afirmou que o uso de moedas nacionais em negociações internacionais — com Venezuela, Bolívia, Chile, Suécia, União Europeia e China — representa um caminho possível.
O chefe de Estado criticou também os ataques comerciais como instrumentos de pressão. Para ele, eventuais desentendimentos devem ser resolvidos em mesa de negociação, e não por meio de tarifas impostas unilateralmente, referindo-se às ameaças tarifárias dos Estados Unidos.
Lula afirmou que o Brasil pretende recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) para se opor ao que chamou de “tarifaço” americano, acrescentando que não tolerará “intromissões” externas que afrontem a soberania nacional.
O pronunciamento ocorre em meio à escalada de tensão com os EUA, depois de o governo Trump anunciar tarifas de até 50 % sobre produtos brasileiros. Lula reagiu ao afirmar que defenderá o setor produtivo nacional e explorará portas para novos mercados.
Esta posição segue o consenso no BRICS desde a cúpula de 6 e 7 de julho no Rio de Janeiro, quando líderes do bloco reafirmaram a intenção de reduzir o uso do dólar em transações, explorando sistemas de pagamentos alternativos entre os bancos centrais.
Em paralelo, o Novo Banco de Desenvolvimento (NDF‑BRICS), apesar de privilegiar o uso de moedas locais, ainda não projeta a criação de uma moeda única. O objetivo é atenuar a volatilidade cambial sem instaurar uma divisa compartilhada.
Analistas apontam que a adoção integral desse modelo dependerá da consolidação de sistemas de compensação financeira — como iniciativas similares ao Pix entre os países — e da superação de resistências internas.
Fonte:
- Agência Brasil





